Vídeo com IA sobre votos de Lula é falso

Conteúdo de IA viral nas redes sociais
Circula atualmente nas redes sociais um vídeo falso Lula gerado por inteligência artificial que apresenta uma reportagem fictícia de telejornal. O material, que se tornou viral no WhatsApp durante a primeira semana de novembro de 2026, após o segundo turno das eleições presidenciais, traz acusações infundadas sobre irregularidades na votação do presidente Lula em várias cidades brasileiras. A análise técnica do conteúdo demonstra que se trata de uma produção completamente fabricada com tecnologia de IA.
Análise técnica comprova origem em inteligência artificial
O Fato ou Fake submeteu o vídeo falso Lula à ferramenta Hive Moderation, especializada em detectar conteúdos criados com inteligência artificial. Os resultados foram conclusivos: o material apresenta 99,5% de probabilidade de ter sido gerado com IA, e o áudio sintetizado mostra 99,2% de probabilidade de fabricação artificial. Essas evidências técnicas eliminam qualquer dúvida sobre a natureza fraudulenta do conteúdo.
Apresentadora fictícia e mensagem fabricada
No vídeo, uma "apresentadora" de telejornal, criada sinteticamente, alega que nas eleições de 2026 o presidente Lula recebeu mais votos do que o total de habitantes em determinadas cidades. A falsa reportagem mostra uma bandeira do Brasil sobre o Palácio do Planalto e utiliza expressões alarmistas como "Plantão urgente" para criar sensação de credibilidade. A apresentadora virtual ainda lista centenas de cidades e solicita que o vídeo seja compartilhado em massa, utilizando uma técnica de viralização baseada em progressão geométrica.
Repetição de narrativa de 2022
Este vídeo falso Lula repete praticamente palavra por palavra uma mensagem de texto que circulou durante as eleições presidenciais de 2022. Naquela ocasião, o Fato ou Fake publicou checagem com o título "É #FAKE mensagem que diz 'que até os mortos votaram em Lula'". A reedição agora em formato de vídeo sintetizado por IA demonstra a continuidade de estratégias de desinformação eleitoral.
Verificação dos dados das cidades mencionadas
A análise detalhada das cidades citadas no vídeo falso Lula revela múltiplas inconsistências e mentiras. Algumas localidades nem sequer existem, outras estão situadas em estados diferentes daqueles indicados no conteúdo, e em nenhum caso os números de votos do presidente Lula superaram o de habitantes ou eleitores. As verificações foram realizadas usando dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Nossa Senhora da Glória (Sergipe)
Segundo o IBGE, Nossa Senhora da Glória, em Sergipe, tem 41.212 habitantes, dos quais 30.469 estão aptos a votar. No segundo turno das eleições 2026, Lula recebeu 19.848 votos (correspondendo a 76,38% dos votos), enquanto Flávio Bolsonaro obteve 6.137 votos (23,62%). Os números reais demolem completamente a alegação do vídeo falso Lula.
Porto da Pedra ou Porto de Pedras (Alagoas)
O vídeo menciona "Porto da Pedra em Pernambuco", mas esta cidade não existe. Na verdade, há Porto de Pedras, localizada em Alagoas, com 9.295 habitantes e 8.462 eleitores. Lula obteve 3.303 votos (51,61%), enquanto Flávio Bolsonaro conquistou 3.097 votos (48,39%). O vídeo falso Lula errou até mesmo na localização geográfica.
Poço das Antas (Rio Grande do Sul)
O vídeo falso Lula indicava Poço das Antas em Pernambuco, quando na verdade o município fica no Rio Grande do Sul. Além disso, a cidade possui apenas 2.171 habitantes e 2.014 eleitores. Nos resultados eleitorais, Flávio Bolsonaro teve 1.292 votos (75,82%), enquanto Lula recebeu 412 votos (24,18%), comprovando mais uma vez a fabricação mentirosa do conteúdo.
Xique-Xique (Bahia)
Xique-Xique, na Bahia, tem 44.757 habitantes e 35.385 eleitores registrados. Nos resultados eleitorais de 2026, Lula obteve 20.001 votos (73,31%), contra 7.282 votos de Flávio Bolsonaro (26,69%). Os números reais mostram votação coerente com a população, refutando o vídeo falso Lula.
Cidades inexistentes mencionadas no vídeo
A pesquisa do Fato ou Fake identificou que os nomes "Barragem" e "Nova Liberdade" não existem como municípios brasileiros. Essas cidades foram procuradas no portal Cidades do IBGE, na tabela de códigos de municípios e no site de resultados do TSE, sem qualquer resultado. O vídeo falso Lula inventou localidades para fortalecer sua narrativa mendaz.
Guananbi em vez de Guananbim
O vídeo menciona "Guananbim" na Bahia, mas o nome correto é Guananbi, com 88.817 habitantes e 67.492 eleitores. Nos resultados reais, Lula recebeu 35.676 votos (63,77%), enquanto Flávio Bolsonaro teve 20.269 votos (36,23%). Novamente, a votação é proporcional à população, desmentindo o vídeo falso Lula.
Joaçaba em Santa Catarina, não na Bahia
O conteúdo falso situava Joaçaba na Bahia, mas o município fica em Santa Catarina. Com 30.146 habitantes e 22.373 eleitores, a cidade registrou 13.162 votos para Flávio Bolsonaro (72,83%) e 4.909 votos para Lula (27,17%). Mais um exemplo das mentiras propagadas pelo vídeo falso Lula.
Comparação com resultados eleitorais anteriores
Nas eleições presidenciais de 2022, a narrativa semelhante também circulou de forma viral. Na primeira volta daquele ano, Lula havia recebido 57.259.504 votos (48,43%), contra 51.072.345 votos (43,20%) de Jair Bolsonaro. No segundo turno, em 30 de outubro de 2022, Lula conquistou 60,3 milhões de votos (50,9%), enquanto Bolsonaro obteve 58,2 milhões (49,1%). Todos os números foram verificados e aprovados pelo TSE, nunca apresentando as anomalias descritas no vídeo falso Lula.
Contexto político das eleições 2026
O vídeo falso Lula foi amplamente compartilhado após o segundo turno das eleições presidenciais de 2026, quando Lula venceu Flávio Bolsonaro (filho do ex-presidente Jair Bolsonaro). O timing do conteúdo, logo após o resultado eleitoral, busca explorar a polarização política e as emoções dos eleitores derrotados. Essa estratégia de desinformação é comum em períodos pós-eleitorais.
Recomendação final do Fato ou Fake
O vídeo falso Lula é um exemplo preocupante de como a inteligência artificial pode ser utilizada para criar conteúdo fraudulento convincente. Recomenda-se aos usuários de redes sociais que verifiquem informações através de fontes oficiais como o TSE e o IBGE antes de compartilharem conteúdos sobre eleições. A desconfiança em relação a vídeos virais alarmistas, especialmente aqueles pedindo compartilhamento em massa, é essencial para combater a disseminação de desinformação.
