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St Marche solicita recuperação judicial e anuncia venda ao Cencosud

St Marche solicita recuperação judicial e anuncia venda ao Cencosud
Fonte: g1.globo.com/economia/noticia/2026/06/24/cencosudo-acordo-st-marche.ghtml

St Marche avança com processo de recuperação judicial

A rede paulista St Marche formalizou nesta quarta-feira (24) um pedido de recuperação judicial junto à Justiça de São Paulo, buscando renegociar suas obrigações financeiras. A medida acontece concomitantemente ao anúncio de sua venda para o grupo chileno Cencosud, empresa controladora da Giga Atacado, marcando um momento decisivo para a varejista que enfrenta dificuldades econômicas.

O pedido de recuperação judicial da St Marche envolve dívidas no montante de R$ 574,3 milhões, refletindo os desafios financeiros enfrentados pela companhia nos últimos períodos. A transação com o Cencosud representa uma alternativa estratégica para a resolução dos problemas econômicos da rede, dependendo ainda de aprovações regulatórias e judiciais.

Acordo com Cencosud condicionado a aprovações

A conclusão do negócio entre St Marche e Cencosud está vinculada ao cumprimento de requisitos específicos. A Justiça deve aprovar o plano de recuperação do Grupo Hortus, controlador da St Marche, além da análise favorável do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Essas etapas são fundamentais para a formalização da operação.

Com a aquisição, o Cencosud expandirá significativamente sua atuação no varejo brasileiro, incorporando 32 unidades da St Marche à sua estrutura operacional. Diferentemente de transações convencionais, a compra será realizada livre de dívidas e de posições de caixa, garantindo que o Cencosud não herde o passivo financeiro acumulado pela rede paulista.

Financiamento via recursos de operações anterior

Segundo informações do Cencosud, os recursos para financiar a aquisição da St Marche serão obtidos de operações comerciais recentes. O grupo indicou que utilizará valores resultantes da venda de suas operações em Minas Gerais para custear esta transação, demonstrando uma estratégia de realocação de ativos dentro do mercado brasileiro.

Histórico e operações da St Marche

Constituída em 2002, a St Marche consolidou-se como uma presença importante no varejo paulista, operando 32 lojas distribuídas pelo estado de São Paulo. A rede conta ainda com uma infraestrutura logística de apoio, incluindo um centro de distribuição com área de 7,5 mil metros quadrados, estrategicamente localizado para servir suas operações.

No período de 12 meses encerrado em março, a St Marche registrou volume de vendas superior a R$ 1,078 bilhão, demonstrando a relevância econômica da rede antes dos problemas de liquidez. Esses números refletem uma operação de porte considerável no segmento de varejo alimentar paulista.

Crise de liquidez e endividamento

O Grupo Hortus, proprietário e controlador da St Marche, atribui o pedido de recuperação judicial a uma crise aguda de liquidez, caracterizada pela insuficiência de recursos para honrar compromissos financeiros de curto prazo. Diversos fatores contribuíram para esse cenário crítico, incluindo o aumento estrutural do endividamento da empresa ao longo dos anos.

A elevação das taxas de juros no mercado brasileiro agravou ainda mais a situação financeira da St Marche. Simultaneamente, houve retração das linhas de crédito disponíveis no mercado financeiro, reduzindo as alternativas para refinanciamento das obrigações já contraídas pela rede.

Tentativa anterior de recuperação extrajudicial

Antes de recorrer à recuperação judicial, a St Marche e seu controlador já haviam tentado um processo de recuperação extrajudicial, suspenso em fevereiro deste ano. Esse primeiro processo envolveu negociações diretas entre a empresa e seus credores, com posterior homologação judicial do acordo alcançado.

Contudo, os resultados obtidos através da recuperação extrajudicial mostraram-se insuficientes para mitigar os problemas financeiros enfrentados. O Grupo Hortus reconheceu que essa abordagem não conseguiu reverter a trajetória de deterioração financeira, levando à necessidade de um processo mais estruturado sob supervisão judicial.

Diferenças entre processos de recuperação

A recuperação extrajudicial envolve negociação direta entre a empresa endividada e seus credores, com posterior homologação judicial do acordo estabelecido. Esse processo é mais simples administrativamente, mas pode não ser suficiente em casos de insolvência mais complexa.

Por sua vez, a recuperação judicial constitui um processo formalmente supervisionado pela Justiça, que permite à empresa reorganizar suas dívidas sob proteção legal contra cobranças imediatas. Na prática, a recuperação judicial suspende as ações de cobrança pelos credores por até 180 dias, durante os quais a companhia mantém suas operações normais enquanto busca reestruturação financeira.

Perspectivas e preservação de empregos

Conforme posicionamento do Grupo Hortus, a conclusão bem-sucedida da venda para o Cencosud representaria uma "saída organizada" para a St Marche, preservando a continuidade operacional e a manutenção dos postos de trabalho. Além disso, a transação asseguraria pagamento aos fornecedores e credores da rede, minimizando prejuízos para os diversos stakeholders envolvidos.

A aprovação da recuperação judicial e a efetivação da transação com o grupo chileno apontam para uma possível estabilização da operação da St Marche, transformando a crise atual em uma oportunidade de reestruturação sob nova administração.

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