Mendonça apreende passaporte de publicitário ligado ao Banco Master

Decisão do Supremo contra publicitário ligado a Banco Master
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou neste sábado a apreensão do passaporte do publicitário Thiago Miranda, profissional ligado ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. A assessoria do STF confirmou a decisão, cujo documento permanece sob sigilo. Mendonça atua como relator das ações relacionadas à fraude do Banco Master na corte suprema.
Miranda foi um dos alvos atingidos pela décima fase da Operação Compliance Zero, realizada na quinta-feira anterior. Ele é investigado por suspeitas de coordenar ações em plataformas digitais com o propósito de prejudicar a credibilidade e as atividades do Banco Central. As autoridades apontam possível atuação de uma organização criminosa voltada à intimidação de profissionais da imprensa, monitoramento de pessoas próximas a autoridades públicas e obtenção irregular de informações classificadas como sigilosas.
Quem é Thiago Miranda e suas atividades investigadas
Thiago Miranda é proprietário da Miranda Comunicação, empresa comercialmente conhecida como Agência MiThi. Nas redes sociais, o publicitário também se identifica como fundador e sócio do portal de notícias Léo Dias. Suas atividades profissionais tornaram-se foco de investigação da Polícia Federal, que o suspeita de contratar influencers digitais para defender o Banco Master e efetuar ataques coordenados contra o Banco Central durante o processo que resultou na liquidação da instituição financeira.
Durante depoimento prestado à Polícia Federal em março, Miranda negou ter contratado criadores de conteúdo para atacar autoridades ou instituições estatais. Segundo seu relato, o trabalho realizado tinha como objetivo a "reconstrução reputacional da imagem" do proprietário do Banco Master. No entanto, evidências documentais contradizem essa versão.
O esquema de contratação de influencers revelado
Em janeiro, investigações jornalísticas revelaram o funcionamento detalhado do esquema de contratação de influencers. Um produtor de conteúdo digital sediado em São Paulo, que pediu para não ser identificado, confirmou ter recebido R$ 7,8 mil por uma única publicação contendo críticas ao Banco Central, postada em dezembro. Conforme relato do influenciador, o pagamento foi efetivado pela empresa administrada por Thiago Miranda.
Após essa divulgação, o criador de conteúdo relatou ter rejeitado uma proposta subsequente de contrato com duração de três meses para prosseguir disseminando conteúdos similares. O contrato proposto previa a produção de oito vídeos mensais e compensaria o influenciador com R$ 188 mil ao término do período, considerando descontos de comissão aplicáveis.
Detalhes da décima fase da Operação Compliance Zero
Conforme informações divulgadas pela Polícia Federal, dois mandados de busca e apreensão estão sendo executados em Brasília, ambos determinados pelo Supremo Tribunal Federal. Segundo a decisão proferida pelo ministro André Mendonça, relator do inquérito sobre o caso do Banco Master na corte suprema, Miranda é identificado como o principal coordenador do esquema investigado.
O objetivo da operação seria desacreditar instituições públicas, dirigir ataques contra o Banco Central e exercer manipulação sobre a opinião pública. De acordo com as investigações conduzidas, o grupo alvo das apurações utilizava informações obtidas de forma ilícita — incluindo violação de sigilo e acesso indevido a dados financeiros, cadastrais e de familiares de jornalistas e concorrentes — para exercer coação e intimidação sobre indivíduos que resistiam aos interesses do esquema.
Medidas cautelares e autorização de apreensões
Na decisão ministerial, André Mendonça autorizou a apreensão de documentação impressa e eletrônica, equipamentos de armazenamento de dados, mídias diversas, além de bens de elevado valor e numerário em espécie superior a R$ 20 mil. Os profissionais da polícia também investigam a adoção de procedimentos direcionados à interferência em processos investigativos criminais.
Conforme divulgado pela Polícia Federal, os fatos sob investigação podem caracterizar, em princípio, os seguintes tipos delituosos: crime contra o sistema financeiro nacional; formação de organização criminosa; embaraço à investigação de organização criminosa; além de outras infrações penais, como possíveis violações de proteção de dados e acessos indevidos a dispositivos informáticos.
Implicações e próximos passos
A apreensão do passaporte de Thiago Miranda representa um escalamento significativo nas ações judiciais contra os investigados. A medida limita a capacidade do publicitário de deixar o território nacional, sinalizando que as autoridades consideram haver risco de fuga. A investigação continua em andamento com foco em esclarecer completamente a estrutura do esquema, identificar todos os participantes e quantificar os prejuízos causados ao sistema financeiro nacional e às instituições públicas alvo das ações coordenadas.
