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Haddad critica declarações de Tarcísio contra candidatas ao Senado

Haddad critica declarações de Tarcísio contra candidatas ao Senado
Fonte: g1.globo.com/sp/sao-paulo/eleicoes/2026/noticia/2026/07/10/haddad-chama-criticas-de-tarcisio-a-marina-e-tebet-de-agressao-gratuita-a-duas-mulheres.ghtml

Haddad responde a Tarcísio sobre críticas a candidatas

O pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, manifestou sua discordância nesta sexta-feira (10) quanto às críticas de Tarcísio de Freitas às pré-candidatas ao Senado Marina Silva e Simone Tebet. Haddad caracterizou as declarações do governador como uma "agressão gratuita a duas mulheres" que possuem histórico de contribuições políticas significativas. O pronunciamento ocorreu durante conversa com jornalistas em São Paulo, momentos antes de sua participação no podcast "Derrubando Muros".

Demonstrando perplexidade com os ataques, Haddad defendeu que as divergências políticas devem ser debatidas no plano das ideias, não através de agressões pessoais. Segundo o petista, embora seja legítimo discordar das pautas políticas das candidatas, é fundamental manter respeito mútuo e conduzir o confronto de propostas de forma construtiva.

O contexto das declarações de Tarcísio

Os comentários do governador surgiram dois dias antes, quando Tarcísio afirmou que Marina Silva e Simone Tebet "não começaram a fazer política em São Paulo", utilizando a metáfora de que as duas "levaram cartão vermelho" nos estados onde construíram suas trajetórias políticas. As observações foram proferidas durante um evento ao lado do deputado federal Guilherme Derrite, também concorrente à vaga de senador apoiado pelo governador.

A questão central levantada por Tarcísio refere-se à origem geográfica das candidatas e sua conexão histórica com São Paulo, contrastando com sua própria trajetória de vida no estado, embora tenha nascido no Rio de Janeiro.

Respostas de Marina e Tebet às críticas

Após as declarações do governador, ambas as pré-candidatas manifestaram suas posições. Marina Silva enfatizou que São Paulo "acolhe pessoas de todo o Brasil e do mundo", relembrando que recebeu atendimento no Hospital das Clínicas quando enfrentou questões de saúde em sua juventude, demonstrando sua conexão com instituições paulistas essenciais.

Simone Tebet, por sua vez, argumentou que contribui financeiramente ao estado há dez anos através do pagamento de impostos e afirmou ser "cortiniana, não flamenguista", fazendo referência ao time de futebol tradicional de São Paulo para reforçar sua ligação com o estado.

O que a legislação brasileira estabelece sobre elegibilidade

Contrariamente às críticas de Tarcísio, a legislação eleitoral brasileira não estabelece como requisito que um candidato tenha desenvolvido sua carreira política no estado onde pretende concorrer. A Constituição Federal e a Lei Eleitoral definem as chamadas "condições de elegibilidade", que incluem nacionalidade brasileira, exercício pleno dos direitos políticos, alistamento eleitoral, domicílio eleitoral na circunscrição onde se pretende disputar a eleição por no mínimo seis meses anteriores ao pleito, filiação partidária conforme prazos legais e idade mínima exigida para o cargo.

Para eleições estaduais, como a de governador, o candidato necessita possuir domicílio eleitoral no estado, porém não é exigência ter nascido naquele estado. Isso significa que uma pessoa nascida em outro estado pode legalmente disputar o governo de São Paulo, uma vaga ao Senado ou qualquer outra posição eletiva, desde que cumpra os critérios legais de domicílio eleitoral.

Precedentes históricos de candidatos de outras regiões em São Paulo

Tarcísio de Freitas é um exemplo contemporâneo dessa possibilidade legal. Nascido no Rio de Janeiro e com trajetória em Brasília desde a adolescência, o governador mudou seu domicílio eleitoral para a cidade de São José dos Campos em 2022, podendo assim concorrer e se eleger ao Palácio dos Bandeirantes.

São Paulo apresenta diversos casos semelhantes ao longo de sua história política. O deputado federal cearense Tiririca, oriundo do interior do Ceará, figurou entre os deputados federais mais votados do país em duas eleições consecutivas, demonstrando enorme apoio eleitoral em São Paulo apesar de não ser nascido no estado.

A capital paulista já foi governada por dois prefeitos que não nasceram na cidade. Luiza Erundina, atualmente filiada ao PSOL, nasceu na Paraíba e construiu carreira como assistente social em São Paulo antes de ser eleita prefeita em 1989 pelo PT. Desde então, mantém-se sucessivamente eleita como deputada federal pelo estado por sete mandatos seguidos.

Celso Pitta, outro ex-prefeito, mudou-se para São Paulo em março de 1987 vindo do Rio de Janeiro. O engenheiro aceitou convite para assumir a diretoria financeira da Eucatex, empresa vinculada à família do também ex-prefeito Paulo Maluf. Pitta foi escolhido sucessor de Maluf na eleição de 1996, tornando-se prefeito sem experiência política anterior, embora seu mandato tenha sido marcado por polêmicas.

Jânio Quadros, nascido em Campo Grande no Mato Grosso do Sul, mudou-se para São Paulo para estudar Direito na Faculdade do Largo São Francisco e posteriormente se tornou Presidente da República. Exerceu a prefeitura da capital paulista por duas oportunidades e foi governador do estado, além de ter sido deputado federal pelo Paraná.

Casos similares entre aliados do governador

Entre os aliados políticos do próprio Tarcísio existem exemplos análogos de candidatos que construíram carreiras em estados diferentes. O deputado federal Eduardo Bolsonaro, aliado do governador, foi o parlamentar mais votado em São Paulo em 2018 e permaneceu no top 3 na eleição seguinte de 2022, apesar de sua família ter construído carreira política principalmente no Rio de Janeiro, onde seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, nasceu em Glicério, no interior paulista.

Carlos Bolsonaro, irmão de Eduardo, foi eleito vereador mais votado do Rio de Janeiro em 2024 e apresenta-se como candidato ao Senado por Santa Catarina em 2026. Em dezembro do ano anterior, renunciou à Câmara Municipal do Rio para se mudar a Santa Catarina, demonstrando mobilidade política entre estados.

Rosângela Wolff Moro, deputada federal natural de Curitiba, mudou seu domicílio eleitoral para São Paulo com intenção de candidatar-se em 2022, sendo eleita para representar os paulistas. Enfrentou ação judicial do PT relacionada à transferência de domicílio, mas a ação foi arquivada no TRE-SP.

Trajetória política em perspectiva nacional

Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente da República, nasceu no Rio de Janeiro e mudou-se para São Paulo aos oito anos de idade. Na capital paulista, estudou sociologia e economia na Universidade de São Paulo, foi professor e iniciou carreira política. Candidatou-se a prefeito em 1985 pelo antigo PMDB, sendo derrotado por Jânio Quadros por diferença inferior a um por cento dos votos. Posteriormente, elegeu-se senador constituinte entre 1987 e 1988, participando da elaboração da Constituição Federal promulgada por Ulisses Guimarães.

Sua campanha ao Senado contou com apoio do então ex-metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva, gerando imagens históricas dos dois realizando campanha conjunta no ABC paulista e na capital, antes de se tornarem adversários políticos e presidentes da República.

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