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Mateus Aleluia presenta show transcendental en Rio

Mateus Aleluia presenta show transcendental en Rio
Fonte: g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2026/07/11/mateus-aleluia-canta-a-nobreza-do-amor-em-transcendental-show-solo-no-rio.ghtml

Mateus Aleluia entrega apresentação transcendental no Rio de Janeiro

Mateus Aleluia realizou uma apresentação solo memorável no Teatro Nelson Rodrigues, na noite de sábado, 11 de julho, levando ao público uma experiência única de voz e violão. O cantor baiano de 82 anos, membro histórico do grupo Os Tincoãs, conquistou a plateia que lotou completamente o espaço da Caixa Cultural, marcando o início de sua turnê solo na cidade do Rio de Janeiro.

A dimensão espiritual do canto de Mateus Aleluia

Durante o show, Mateus Aleluia ressaltou a importância da linguagem musical como instrumento espiritual. "O canto fala tudo o que sentimos sem contornos. É uma linguagem espiritual. Falamos de dentro", afirmou o artista ao público presente. Essa filosofia permeia toda sua carreira, transformando cada apresentação em um momento de reflexão e conexão com aspectos profundos da existência humana.

A voz grave e profunda de Mateus Aleluia caracteriza-se pela riqueza tímbrica que evoca memórias ancestrais e traz à tona a herança cultural africana. Sua presença em palcos cariocas permanecia rara, com a última apresentação solo datando de 2017, tornando este show de particular importância para os fãs do artista na capital fluminense.

Setlist e repertório autoral

O roteiro musical aberto com a composição "Homem! O animal que fala" (2009) revelou a vertente autoral de Mateus Aleluia. Entre as músicas que marcaram a noite, destacaram-se composições como "Sonhos cor de criola" e "Filho de rei", ambas do álbum "Fogueira doce" (2020). O encerramento da apresentação coube a "Fogueira doce", título do disco, que finalizou o show sem bis, deixando o público em estado de contemplação.

A composição de 2017 intitulada "Eu vi Obatalá" proclama a visão mística do cantor, conectando sua obra à espiritualidade iorubá e à importância dos orixás na cosmovisão africana. Cada canção revelava camadas de significado sobre a nobreza do amor e a transcendência espiritual que Mateus Aleluia busca transmitir.

Legado dos Tincoãs em nova dimensão

O maior sucesso de Os Tincoãs, "Cordeiro de Nanã", composição de Mateus Aleluia em parceria com Dadinho de 1977, veio acompanhado de um lamento em forma de fala durante o show. Esta música representa importante marco na história do grupo e permanece como referência na carreira do artista, carregando consigo as dores históricas do povo negro, mas também a sabedoria extraída das experiências de vida.

A experiência sensorial e emocional

Presenciar um show solo de Mateus Aleluia requer mais que simples assistência passiva. A experiência demanda que o público desconecte do tempo das urgências cotidianas para adentrar o tempo sereno que o artista propicia. Sua presença emanada de alto teor ancestral transforma o palco em espaço sagrado onde a música alimenta a alma e propaga boas vibrações.

A sabedoria dos séculos de história africana flui através de sua voz, amenizando as dores do passado através da elevação espiritual. Quem se entrega completamente à experiência consegue extrair da apresentação um alimento para o espírito que perdura muito além dos momentos finais do show.

Turnê no Rio de Janeiro

A apresentação de sábado marcou o início da presença de Mateus Aleluia em unidades da Caixa Cultural na cidade do Rio de Janeiro. Uma segunda apresentação estava agendada para domingo, 12 de julho, no mesmo teatro, porém com ingressos completamente esgotados, evidenciando a grande procura do público carioca pela oportunidade de assistir ao artista em performance solo.

Ao encerrar o show, Mateus Aleluia agradeceu o público afirmando estar "abastecido", numa referência ao preenchimento espiritual que a música proporciona. Ironicamente, foi o artista quem verdadeiramente abasteceu a plateia com uma música transcendente, capaz de elevar o espírito e propagar a mensagem de paz que caracteriza sua obra como um Buda Nagô dos palcos brasileiros.

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