Governo rebate Flávio Bolsonaro sobre tarifas nos EUA
Governo responde às críticas de Flávio Bolsonaro sobre tarifas
O Palácio do Planalto divulgou uma nota oficial nesta terça-feira (7) em resposta à participação de Flávio Bolsonaro em audiência pública nos Estados Unidos acerca das tarifas contra Brasil que vêm sendo debatidas. A declaração da Secretaria de Comunicação Social marca mais um episódio de confronto entre o governo e o pré-candidato presidencial do PL sobre a questão comercial bilateral.
Segundo a nota oficial, o governo brasileiro diferencia claramente entre fazer oposição política legítima ao executivo e solicitar pressão de potências estrangeiras contra o próprio país. "Divergir do governo é legítimo. Convocar uma potência estrangeira a pressionar o próprio país é traição à Pátria. Há uma diferença essencial entre fazer oposição ao governo e fazer oposição ao país e ao povo brasileiro", afirma o comunicado.
Participação de Flávio Bolsonaro na audiência americana
O senador Flávio Bolsonaro compareceu a audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) acompanhado de seu irmão, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro, que reside nos Estados Unidos. Durante seu pronunciamento em inglês, o pré-candidato à presidência criticou duramente o Supremo Tribunal Federal e realizou ataques contra administrações do presidente Lula e ao Partido dos Trabalhadores.
Em seu discurso, Flávio Bolsonaro afirmou que este seria o "pior momento possível" para a imposição de novas tarifas contra Brasil, argumentando que tais medidas beneficiariam eleitoralmente o presidente Lula em ano de campanha eleitoral. A participação nas audiências do USTR é aberta a qualquer interessado que se inscreva previamente, sendo este o mecanismo que possibilitou a fala do senador no evento.
Crítica do governo ao posicionamento de Flávio Bolsonaro
Conforme avaliação do Palácio do Planalto divulgada na nota, Flávio Bolsonaro não se posicionou efetivamente contra as novas tarifas durante sua intervenção na audiência pública. Segundo o comunicado, em vez de refutar as alegações que fundamentam a investigação americana sobre barreiras comerciais, o senador optou por legitimar conclusões de investigação considerada injusta pelo governo contra empresários e trabalhadores brasileiros.
"Em vez de rebater as alegações infundadas do governo norte-americano para taxar o Brasil, o senador optou por legitimar os resultados de uma investigação injusta contra empresários e trabalhadores do nosso país. O senador não negou que a campanha promovida por sua família e seus aliados esteve na origem do tarifaço contra o Brasil", destaca o comunicado oficial.
Ações simultâneas do governo nas negociações
Enquanto Flávio Bolsonaro discursava na audiência pública americana, equipes técnicas do governo brasileiro mantinham reunião com representantes do USTR para buscar reverter as medidas tarifárias impostas. O Palácio do Planalto ressalta que o executivo conduz negociações ininterruptas com os Estados Unidos desde julho de 2025 visando desfazer o tarifaço.
"Esta manhã, enquanto o senador Flávio Bolsonaro tentava politizar as relações entre o Brasil e os Estados Unidos, funcionários do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio; Itamaraty; Ministério da Justiça; e do Palácio do Planalto mantinham reunião com técnicos do USTR para desfazer o tarifaço contra o Brasil", complementa a nota da comunicação presidencial.
Análise das inscrições para as audiências públicas
De acordo com levantamento do governo, 78 entidades e pessoas físicas, entre brasileiras e americanas, se inscreveram para manifestar posicionamento sobre as tarifas propostas ao Brasil. Conforme cálculos divulgados, 63 manifestações são contrárias ao tarifaço, enquanto apenas 15 apoiam a medida.
Entre as 44 intervenções de cidadãos americanos, 30 posicionam-se contra o tarifaço e 14 a favor. No contingente de 34 inscritos brasileiros, apenas Flávio Bolsonaro não se opôs explicitamente às medidas contra o Brasil, sugerindo apenas o adiamento das tarifas com, segundo o governo, objetivo claramente eleitoral.
Resposta formal do Brasil à investigação americana
Na última quinta-feira (2), o governo brasileiro apresentou resposta formal à conclusão da investigação americana sobre as tarifas propostas. O documento, assinado pelo chanceler Mauro Vieira, rebate as acusações dos Estados Unidos de práticas "irrazoáveis" que supostamente onerariam ou restringiriam o comércio bilateral.
A administração Trump acusa o Brasil de implementar políticas inadequadas relacionadas ao PIX, desmatamento ilegal, pirataria e falhas na aplicação de leis anticorrupção. O Brasil argumentou em sete pontos que o USTR não conseguiu comprovar que as políticas brasileiras sejam discriminatórias ou criem barreiras ao comércio americano.
Adicionalmente, o governo sustentou que críticas americanas quanto ao PIX e decisões do Supremo Tribunal Federal não constituem questões comerciais legítimas, mas representam divergências sobre políticas domésticas brasileiras que não devem ser objeto de represálias tarifárias.
Cronograma das negociações comerciais
O executivo trabalha com prazo de 15 de julho para fechar acordo tarifário definitivo com os Estados Unidos. Esta data foi estabelecida pelo USTR como limite para definição final sobre o tema das tarifas contra Brasil que afetam diversos setores da economia nacional.
