Bolsonaro e Zema definem vices a dias do encerramento das convenções

Prazo para definição de vices se aproxima do fim
A definição do vice presidente 2026 segue em processo intenso entre os principais candidatos à presidência da República. Com apenas três dias restantes até o encerramento do período de convenções partidárias, dois dos cinco principais postulantes ao cargo supremo ainda não finalizaram a composição de suas chapas. O prazo final estabelecido é 5 de agosto, enquanto o registro oficial no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ocorrerá até 15 de agosto.
Flávio Bolsonaro, do PL, e Romeu Zema, do Novo, permanecem em negociações avançadas para escolher seus companheiros de chapa. Essa seleção envolve cálculos estratégicos complexos, incluindo a possibilidade de atrair eleitores que inicialmente não votariam no candidato presidencial e de conquistar apoio de legendas que ampliem o tempo de propaganda eleitoral em rádio e televisão.
As estratégias por trás da escolha do vice presidente 2026
A escolha de um vice desempenha papel crucial nas campanhas presidenciais modernas. Os candidatos buscam composições que tragam benefícios eleitorais específicos, como a atração de grupos demográficos que não constituem seu eleitorado natural ou a agregação de alianças políticas que fortaleçam a campanha.
A experiência de 2022 demonstrou essa dinâmica claramente. Na ocasião, a coligação entre Lula e Geraldo Alckmin foi celebrada como representação de uma "frente ampla" que conseguiu atrair empresários paulistas e outros eleitores que poderiam ter votado em candidatos distintos. Essa estratégia provou-se eficaz ao reforçar a amplitude da base eleitoral do candidato petista.
Bolsonaro busca mulher para compor chapa
A campanha de Flávio Bolsonaro trabalha para atrair uma candidata ao cargo de vice, reconhecendo que as mulheres representam 52,8% do eleitorado brasileiro. Essa estratégia visa equilibrar a chapa e expandir o apelo do candidato entre o eleitorado feminino.
Na semana anterior, Bolsonaro reuniu-se com Tereza Cristina, líder do PP no Senado Federal e ex-ministra da Agricultura do governo Jair Bolsonaro. A parlamentar sinalizou positivamente para participar da chapa, porém o PP bloqueou a indicação, reafirmando sua posição de neutralidade nas eleições presidenciais para preservar alianças estaduais.
Nos corredores políticos, circulam os nomes de Daniela Marques, ex-presidente da Caixa durante a administração Bolsonaro e filiada ao Republicanos, e Renata Abreu, deputada federal e presidente do Podemos. Contudo, ambos os partidos mantêm postura neutra nas eleições nacionais, criando obstáculos similares aos enfrentados com Tereza Cristina.
Zema segue indefinido e pode optar por chapa puro-sangue
Romeu Zema teve sua candidatura à presidência confirmada pelo partido Novo na segunda-feira, 27 de julho, porém a questão do vice permanece em aberto. O ex-governador de Minas Gerais sondou Joaquim Barbosa, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, que havia se apresentado como pré-candidato pelo DC, mas as articulações não prosperaram.
Zema também tentou incorporar Geraldo Rufino, empresário do Podemos, para sua chapa, contudo Rufino será candidato ao Senado em São Paulo. Diante dessas dificuldades, fontes ligadas ao Novo indicam que a tendência é que Zema componha uma chapa exclusivamente com membros de seu próprio partido, configurando assim uma composição "puro-sangue".
Lula mantém aliança com Alckmin para terceira tentativa
As convenções nacionais do PT, realizada no domingo em São Paulo, e do PSB, ocorrida na quarta-feira anterior em Brasília, oficializaram a repetição da chapa que levou Lula ao terceiro mandato presidencial em 2022. Geraldo Alckmin, que foi adversário de Lula na eleição de 2006 quando integrava o PSDB, migrou para o PSB especificamente para formar aliança com o petista, visando derrotar Bolsonaro.
Durante o governo, além de exercer a vice-presidência, Alckmin chefiou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, atuando como intermediário entre o governo e setores empresariais. Sua atuação ganhou destaque nas negociações com os Estados Unidos durante o período de tensões comerciais.
Na convenção petista, Alckmin criticou a presença do presidente argentino Javier Milei na convenção de Bolsonaro e questionou os ataques bolsonaristas às urnas eletrônicas, afirmando que quem não acredita no voto não deveria ser candidato a presidente.
PSD aposta em chapa neutra como alternativa
Ronaldo Caiado optou por uma composição "puro-sangue" ao escolher Gilberto Kassab, presidente do PSD, como seu vice. Essa decisão reflete a dificuldade em atrair outras legendas para a coligação e busca mergulhar integralmente o PSD na campanha presidencial do ex-governador goiano.
A chapa também integra estratégia eleitoral maior do PSD direcionada às eleições parlamentares, oferecendo um palanque neutro para candidatos que desejam se afastar da polarização nacional. Kassab destacou na ocasião que o partido está preparado para apresentar respostas às demandas sociais e caracterizou a chapa como alternativa para um sistema político "contaminado".
Missão segue discurso antissistema
O partido Missão, igualmente sem coligações, apresenta Renan Santos como candidato presidencial e Aroldo Medina como vice. A legenda fundamenta sua campanha em um discurso contra o establishment político.
Medina é militar da reserva, jornalista e especialista em história militar. Desde 2002, quando disputou o governo do Rio Grande do Sul pelo PL, participou de diversas eleições sem êxito, transitando por quatro partidos diferentes entre 2004 e 2018. Suas candidaturas incluem disputa pela prefeitura de Canoas em 2004 pelo extinto PFL, candidatura ao governo gaúcho em 2010 pelo PRP, tentativa de vaga estadual em 2014 pelo PSD, filiação ao PV em 2018 e candidatura a vereador de Porto Alegre em 2024 pelo PL.
