Vício em celular: como a terapia ajuda a combater a dependência digital

O problema crescente do vício em celular
A dependência de celular representa um desafio cada vez mais preocupante para a saúde mental moderna. Pessoas de todas as idades e origens estão descobrindo que o vício em celular afeta profundamente suas vidas, levando-as a buscar ajuda profissional através da terapia especializada. Estudos recentes revelam que essa compulsão digital não é mais um hábito casual, mas sim uma condição que requer intervenção terapêutica séria.
Marios, um treinador pessoal em Londres, é um exemplo claro dessa realidade. Ele chegou a passar mais de 14 horas por dia com os olhos fixos na tela do seu smartphone, com o Instagram sendo o principal culpado. A necessidade incontrolável de verificar notificações, rolar feeds e responder mensagens se tornou tão avassaladora que ele decidiu procurar ajuda profissional através de um curso de 12 sessões de terapia particular especializada no combate ao vício em celular.
Números alarmantes sobre o uso de tecnologia
As estatísticas sobre o tempo gasto em dispositivos móveis são preocupantes. Uma pesquisa recente realizada pela Deloitte com mil adultos revelou que 70% dos entrevistados admitem passar tempo demais em seus telefones. Esse fenômeno não é isolado – dados do UK Addiction Treatment Centres (UKAT), que atende 3,5 mil pessoas anualmente, mostram que em 2024, um em cada três clientes tratados por dependência de drogas também apresentava uma dependência secundária de telefone. Em comparação, em 2019, essa proporção era de apenas um em cada dez clientes.
O crescimento é tão significativo que alguns clientes chegam a desistir do tratamento para seu vício principal porque se recusam a entregar seus dispositivos móveis ao chegar na clínica. Essa situação ilustra o quanto o vício em celular se equipara a outras formas de dependência química.
Centros de reabilitação enfrentam nova demanda
Centros como o Rainford Hall, localizado em St Helens, no norte da Inglaterra, agora recebem um número crescente de pessoas lutando contra o vício em celular. O Steps Together, que funciona em múltiplas localidades incluindo Leicester, começou a observar padrões preocupantes de dependência digital em seus pacientes.
A terapeuta-chefe Kelly Watson explica que a dependência digital pode afetar qualquer pessoa, independentemente de sua origem ou status social. Ela aponta que todos nós possuímos telefones e circuitos cerebrais semelhantes, tornando a maioria de nós vulnerável ao vício. Watson ressalta que muitos clientes chegam confusos, preocupados e completamente relutantes em abrir mão de seus dispositivos, argumentando que precisam deles para trabalho e contato familiar.
A neurociência por trás do vício em celular
Para entender por que o vício em celular é tão potente, é necessário compreender como nosso cérebro funciona. Parte do nosso cérebro opera através de um sistema de recompensa que libera dopamina – um mensageiro químico que regula prazer e motivação. Cada notificação recebida, cada curtida em redes sociais, cada informação nova consumida desencadeia a liberação dessa substância.
Com o tempo, para muitas pessoas, a necessidade desse estímulo se torna excessiva. O comportamento compulsivo assume o controle, fazendo com que horas ou até dias inteiros desapareçam no mundo digital. James, um homem de 48 anos em tratamento em Leicester, experienciou isso intensamente. Após perder seu emprego, seu dia tornou-se consumido por rolar redes sociais, verificar notícias e se fixar em eventos globais. Se publicasse algo, permanecia acordado toda a noite verificando curtidas e comentários, sentindo-se refém do mundo digital.
Histórias de superação do vício em celular
O Internet and Technology Addicts Anonymous (ITAA), criado em 2017, oferece suporte através de um programa de 12 passos inspirado nos Alcoólicos Anônimos. Jenny, membro da organização, não dormia por dias no auge de seu vício em celular. Ela não se importava com o conteúdo específico – filmes, séries, vídeos curtos – desde que estivesse consumindo algo constantemente.
Quando tentou se abster, precisou pedir a amigos e familiares que guardassem seus dispositivos sob chave. O vício era tão intenso que ela pensava que morreria sem consumir conteúdo. Quando recaía, chegava a pegar ou
