Verificação de Declarações de Romeu Zema em Entrevista

Análise Completa das Declarações de Romeu Zema
A entrevista de Romeu Zema ao G1 e à GloboNews, realizada na quinta-feira (6) sob condução das jornalistas Andréia Sadi e Natuza Nery, gerou múltiplas afirmações que mereceram verificação detalhada. Romeu Zema, candidato à Presidência da República pelo partido Novo, apresentou dados sobre sua gestão em Minas Gerais que foram submetidos a rigorosa checagem pelos especialistas em verificação de fatos.
Governo Sem Escândalos: Análise da Afirmação
Romeu Zema afirmou: "Eu, como governador, fiz um governo de sete anos e meio sem nenhum escândalo, sem nenhuma corrupção." Essa declaração foi classificada como #FAKE. Em 2025, a Operação Rejeito, deflagrada pela Polícia Federal, revelou um esquema bilionário de corrupção na mineração em Minas Gerais que atingiu diretamente o alto escalão do governo Zema. Pelo menos quatro dirigentes de órgãos ambientais e de patrimônio foram exonerados ou afastados dos cargos após serem citados nas investigações. O inquérito aponta que um grupo criminoso composto por empresários, delegados e políticos subornava servidores públicos para obter licenças ambientais que permitiam a exploração de minério de ferro em diferentes regiões do estado, algumas próximas de unidades de preservação ambiental. Entre os alvos estavam funcionários da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) e da Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Minas Gerais.
Recuperação Financeira: Transição de Déficit para Superávit
A declaração sobre a transformação do déficit orçamentário foi verificada como #FATO. Romeu Zema afirmou que Minas Gerais saiu de um déficit de menos R$ 11 bilhões em 2018 para um superávit de R$ 5 bilhões em 2024. De acordo com o Balanço Geral do Estado divulgado no final de 2018 pela Secretaria de Estado da Fazenda de Minas Gerais, o déficit orçamentário foi de aproximadamente R$ 11,4 bilhões. Em 2024, o resultado registrou um saldo positivo de R$ 5,1 bilhões, impulsionado por receitas extraordinárias obtidas com os acordos de Mariana e Brumadinho. Porém, ao fim de 2025, o superávit foi de apenas R$ 1,1 bilhão, e a pasta projeta o retorno de um déficit de R$ 5 bilhões para o fim de 2026.
Banco Master: Empresas Privadas Envolvidas
Quando Romeu Zema afirmou que no esquema do Banco Master "não se viu banco privado nem fundo de pensão privado envolvido", a checagem foi classificada como #NÃOÉBEMASSIM. Embora as investigações não mencionem envolvimento de bancos privados nem fundos de pensão privados, empresas privadas efetivamente aparecem nas apurações. A Reag Investimentos, por exemplo, teria tido fundos administrados utilizados em operações para inflar o patrimônio do Banco Master. João Carlos Mansur, fundador e ex-executivo da Reag, é investigado por operações envolvendo fundos. Além disso, a produtora Go UP Entertainment, responsável pelo filme "Dark horse" sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, aparece no caso com mensagens revelando que Flávio Bolsonaro pediu dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar a produção. Em 4 de março, a Agência Nacional de Cinema (Ancine) abriu processo contra a Go Up por irregularidade na gravação do longa.
Escândalo de Empréstimos Consignados: Verificação Confirmada
A afirmação sobre os servidores públicos com nome sujo no SPC e Serasa por conta de empréstimos consignados não repassados foi confirmada como #FATO. Em maio de 2020, a Polícia Civil de Minas Gerais indiciou o ex-governador Fernando Pimentel por crime de peculato em suposto desvio de R$ 855 milhões. As investigações apontaram que o governo retinha dinheiro devido a instituições financeiras privadas, afetando aproximadamente 260 mil servidores estaduais. Embora o delegado responsável tenha afirmado que as investigações não comprovaram envolvimento direto de Pimentel, o ex-secretário da Fazenda e o ex-secretário do Tesouro Estadual foram indiciados. Em maio de 2021, o Ministério Público de Minas Gerais entrou na Justiça com ação civil pública contra Pimentel e secretários por improbidade administrativa.
Investigações Dentro do Partido Novo
A afirmação "Eu não tenho ninguém do meu partido sendo investigado" foi classificada como #FAKE. Em 30 de abril, o deputado estadual Elizeu Nascimento do Novo de Mato Grosso foi alvo de busca e apreensão na Operação Emenda Oculta. Foram apreendidos R$ 150 mil em sua residência e R$ 50 mil no imóvel de seu irmão. Além disso, o ex-ministro do Meio Ambiente e candidato ao Senado por São Paulo Ricardo Salles, também do Novo, responde no Supremo Tribunal Federal à Ação Penal 2.705 por investigação sobre facilitação ao contrabando de produtos florestais. O caso está sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes e aguarda julgamento.
Criação de Empregos: Dados Confirmados
A declaração sobre criação de mais de 1 milhão de empregos em Minas Gerais foi confirmada como #FATO. Em 2018, a taxa de desemprego no estado foi de 10,8%, conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. No primeiro trimestre de 2026, a taxa de desocupação ficou em 5%, representando uma redução de 5,7 pontos percentuais. O Censo de 2022 apontou que Minas Gerais tem 16.627.121 pessoas com 15 anos ou mais, sendo que 5,7% deste montante representaria 947.745 pessoas.
Segurança de Barragens: Contexto Mais Complexo
Sobre as barragens, a verificação foi #NÃOÉBEMASSIM. A barragem B-I da mina Córrego do Feijão rompeu em 25 de janeiro de 2019, no primeiro mês da gestão Zema. Em 25 de fevereiro de 2019, Minas sancionou a Lei nº 23.291, conhecida como Mar de Lama Nunca Mais. Contudo, parte das normas de segurança já existia antes, como a Política Nacional de Segurança de Barragens criada em 2010. O número de 18 barragens descaracterizadas está desatualizado. De acordo com o painel do Ministério Público de Minas Gerais de 23 de julho de 2026, 23 estruturas já foram descaracterizadas e 30 seguem em processo de descaracterização. Não há registro de outro rompimento com dimensões de Brumadinho, mas o estado permanece com barragens em níveis de emergência.
Processo Contra Gilmar Mendes: Informação Precisa
A afirmação sobre responder processo de calúnia do ministro Gilmar Mendes foi confirmada como #FATO. Zema é alvo de processo classificado como crime de calúnia que tramita em segredo de justiça no Superior Tribunal de Justiça. O candidato foi intimado pela Justiça Federal em 1º de junho. O caso diz respeito a um vídeo postado por Zema no Instagram em 5 de março, no qual Gilmar Mendes e Dias Toffoli foram retratados de forma irônica por meio de fantoches em conteúdo sobre o Banco Master.
População Sob Controle de Facções: Dados Verificados
A afirmação sobre "60 milhões de brasileiros não morando no Brasil" mas em áreas controladas por facções foi verificada como #FATO. Pesquisa contratada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública junto ao Datafolha publicada em maio estima que 68 milhões de brasileiros percebem presença de grupos criminosos envolvidos com tráfico ou milícias no seu bairro, equivalente a 41% da população. O estudo "Governança criminal na América Latina", realizado pela universidade Cambridge e publicado em agosto, apontou que entre 50,6 milhões e 61,6 milhões de pessoas vivem em locais com regras impostas por facções criminosas.
Mulheres em Cargos de Comando: Liderança Confirmada
A declaração sobre mulheres liderando as três principais instituições de segurança foi confirmada como #FATO. Minas Gerais tem mulheres ocupando cargos de comando no Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e Polícia Civil: coronel Jordana de Oliveira Filgueiras Daldegan, coronel Cleide Barcelos dos Reis Rodrigues e delegada-geral Letícia Baptista Gamboge Reis, respectivamente. O Fato ou Fake consultou os comandos de cada instituição em todos os 26 estados e no Distrito Federal e confirmou que nenhum outro ente federativo tem mulheres ocupando esses três cargos simultaneamente.
Multas Ambientais: Comparação Imprecisa
Sobre as multas ambientais, a verificação foi #NÃOÉBEMASSIM. A Secretaria de Meio Ambiente de Minas Gerais aplicou à Samarco em 18 de novembro de 2015 uma primeira multa de R$ 112 milhões. Posteriormente, a Semad lavrou 31 autos de infração contra a Samarco, com multa atualizada para R$ 127,6 milhões e outra de R$ 180 milhões relacionada à mortandade de peixes. Em janeiro de 2019, os valores devidos somavam R$ 264 milhões. O Ibama também aplicou cinco multas totalizando R$ 250 milhões após o rompimento de Mariana. Para Brumadinho, a Semad aplicou inicialmente multa de aproximadamente R$ 99 milhões à Vale, e o Ibama aplicou R$ 250 milhões. O número de R$ 37 bilhões citado por Zema refere-se ao Acordo Judicial de Reparação de Brumadinho assinado em 4 de fevereiro de 2021, não a uma multa ambiental. Aspectos de Brumadinho serviram de parâmetro para a repactuação de Mariana em 2024 por R$ 170 bilhões.
