Trump levou acusações infundadas contra árbitro Claus à Fifa

Acusações infundadas contra árbitro Raphael Claus circularam na Casa Branca
A administração de Donald Trump encaminhou à Fifa acusações sem comprovação contra o árbitro brasileiro Raphael Claus durante as negociações para reverter a suspensão do atacante Folarin Balogun na Copa do Mundo de 2026. De acordo com investigação do The New York Times, essas acusações contra árbitro Raphael Claus carecem completamente de fundamentação junto às autoridades brasileiras e à entidade internacional de futebol.
Scott Goodwin, gestor de fundos e um dos principais apoiadores financeiros da Federação de Futebol dos Estados Unidos (U.S. Soccer), apresentou integrantes do governo americano denúncias públicas alegando que Claus participaria de esquemas irregulares de manipulação de resultados no Brasil mediante aplicação indevida de cartões vermelhos. Contudo, a reportagem ressalta que nenhuma investigação conduzida pelas autoridades brasileiras ou pela Fifa localizou qualquer evidência concreta dessas alegações.
Pressão presidencial sobre a entidade reguladora do futebol
Conforme divulgado pelo jornal nova-iorquino, Trump mencionou essas acusações sem base durante conversa telefônica mantida com Gianni Infantino, presidente da Fifa, realizada após a expulsão de Balogun no confronto entre Estados Unidos e Bósnia e Herzegovina. A ligação marca o envolvimento direto da chefia do Estado americano na tentativa de reversão da punição disciplinar.
Além da pressão exercida mediante acusações contra árbitro Raphael Claus, membros graduados da Casa Branca mobilizaram recursos legais significativos. O secretário de Comércio Howard Lutnick e Andrew Giuliani, diretor-executivo da força-tarefa presidencial para o torneio, coordenaram esforços para recorrer da suspensão, ainda que as normas da Fifa não autorizam recursos para cartões vermelhos dessa natureza.
Estratégia jurídica da administração americana
Um memorando elaborado por assessores jurídicos ligados a Trump buscava identificar lacunas no Código Disciplinar da Fifa para fundamentar contestação da punição. O documento chegou a sugerir invocar direitos dos Estados Unidos como nação e ameaçar recurso perante a Corte Arbitral do Esporte (CAS), estratégia que reflete a extensão das medidas adotadas pela administração americana.
Reação e anulação da suspensão
Após o jogo entre Estados Unidos e Bósnia e Herzegovina, a Fifa anulou os efeitos da suspensão de Balogun, permitindo que o jogador disputasse partida subsequente contra a Bélgica. Balogun havia recebido cartão vermelho de Claus após jogada revisada pelo VAR (árbitro de vídeo). A decisão tomada pela entidade baseou-se no artigo 27 do Código Disciplinar da Fifa, que prevê possibilidade de suspensão total ou parcial da aplicação de medidas disciplinares.
O artigo 27 estabelece que o órgão judicial pode decidir suspender a execução de sanção disciplinar, submetendo o beneficiado a período probatório de um a quatro anos. Caso o jogador cometa infração de natureza e gravidade semelhantes durante o período probatório, a suspensão será revogada e a sanção aplicada integralmente. No caso de Balogun, o período probatório foi fixado em um ano.
Confirmação do presidente da Fifa
Gianni Infantino confirmou que recebeu ligação de Trump discutindo o caso. Em comunicado oficial, Infantino afirmou:
