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Tributo a Erasmo Carlos reúne banda no Manouche

Tributo a Erasmo Carlos reúne banda no Manouche
Fonte: g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2026/07/04/amplidao-da-obra-de-erasmo-carlos-e-exposta-em-show-na-esfera-do-cover.ghtml

A Obra Monumental de Erasmo Carlos em Palco

O cover Erasmo Carlos apresentado no palco do Manouche, na noite de 2 de julho de 2026, no Rio de Janeiro, trouxe à tona a vastidão artística do Gigante Gentil através de um espetáculo que reuniu alguns dos mais importantes músicos que dividiram estúdios e palcos com o lendário artista. Durante duas horas de apresentação, o público carioca pôde reconhecer a dimensão do legado deixado por Erasmo Carlos (1941-2022), um dos nomes mais emblemáticos da música popular brasileira.

A magnitude do cancioneiro de Erasmo Carlos transcendeu as fronteiras convencionais de um cover comum. Ao longo de seis décadas de atividade artística, o compositor e intérprete carioca navegou por diversos gêneros musicais, iniciando sua jornada no rock da Jovem Guarda para posteriormente explorar o samba-rock, soul, funk e composições românticas que marcaram presença constante em sua discografia. Este percurso artístico diversificado foi evidenciado na seleção de músicas que formaram o repertório do tributo.

Banda de Excelência Instrumental

A qualidade instrumental do espetáculo alcançou patamares elevados, principalmente porque a banda acompanhante era integrada por músicos que conheciam intimamente o universo musical do Tremendão. Luiz Lopez, na guitarra, e Rike Frainer, na bateria, dividiram palcos e momentos em estúdio com Erasmo Carlos por mais de uma década. Mario Vitor, também guitarrista, e Pedro Herzog, no baixo, atuaram em diversas ocasiões ao lado do artista homenageado, conferindo autenticidade ao cover.

A participação especial do maestro e tecladista José Lourenço representou um diferencial significativo na produção. Dominando completamente o universo sonoro de Erasmo, Lourenço materializou nos teclados a essência de composições como "É preciso dar um jeito, meu amigo" (1971) e apresentou uma passagem instrumental memorável em "É preciso saber viver" (1968), proporcionando momentos de pura excelência musical ao público presente.

Malu Rodrigues como Intérprete Principal

A cantora e atriz Malu Rodrigues, conhecida por suas apresentações em musicais teatrais, assumiu o papel de solista no tributo. Sua afinação demonstrou precisão e sua técnica vocal revelou domínio técnico consolidado. Contudo, a interpretação do cover Erasmo Carlos manteve-se predominantemente fiel aos arranjos originais, sem que a artista imprimisse uma marca pessoal significativa em sua leitura das composições.

Especialmente nas três aberturas do roteiro – "Minha fama de mau" (1964), "Vem quente que estou fervendo" (1967) e "Quero que vá tudo pro inferno" (1965) – o cover evidenciou a dificuldade em capturar a intensidade e o carisma que caracterizavam as apresentações originais de Erasmo. A melancolia característica da balada "Devolva-me" (1966) igualmente escapou à interpretação de Rodrigues, embora a cantora tenha encontrado maior afinidade com composições de tom mais contido, como "Mais um na multidão" (2001).

Solos e Participações Memoráveis

Os integrantes da banda contribuíram significativamente para enriquecer o cover Erasmo Carlos através de performances vocais distintas. Pedro Herzog apresentou uma leitura sensível de "Minha superstar" (1981), enquanto Rike Frainer interpretou "Gente aberta" (1971), faixa do álbum "Carlos, Erasmo..." que representou a expansão artística do compositor para além dos limites da Jovem Guarda.

Mario Vitor ofereceu interpretação notável em "Mulher (Sexo frágil)" (1981) e dividiu os vocais com Malu Rodrigues em "Sentado à beira do caminho" (1969), composição que refletia o momento de desorientação vivido por Erasmo após o encerramento do movimento que o catapultou à fama. Luiz Lopez, por sua vez, apresentou "Erasmo" (2022), composição de sua autoria elaborada em 2022 sob o impacto direto do falecimento do Tremendão.

Convidados Especiais Ampliam o Tributo

A presença de Leo Jaime como convidado especial trouxe uma dimensão adicional ao show. Apontado pelo próprio Erasmo como sucessor artístico quando despontou nos anos 1980, Jaime justificou a confiança depositada pelo ícone da Jovem Guarda em duetos vocais com Malu Rodrigues. "Gatinha manhosa" (1965), interpretada por Jaime em 1988, e "Sou uma criança, não entendo nada" (1974), única parceria de Erasmo com Ghiaroni, receberam tratamento especial nas vozes conjugadas dos intérpretes.

O Legado Musical Transcende o Cover

Apesar da natureza essencialmente tributária do espetáculo, o que mais brilhou em evidência foi a força perene da própria obra de Erasmo Carlos. O cancioneiro do artista revelou-se gigantesco e, contrariamente à reputação equivocada de "mau", predominantemente gentil e romântico. A maior parte de suas composições, desenvolvidas em parceria com Roberto Carlos, apresentava uma sensibilidade que frequentemente era ofuscada pela imagem rebelde cultivada pelo Tremendão.

A seleção de músicas do show incluiu raridades como "Dois animais na selva suja da rua" (1971), composição politizada de Taiguara que representou uma surpresa significativa no roteiro, evidenciando a versatilidade artística de Erasmo em abraçar diferentes perspectivas temáticas e musicais. O álbum "Pra falar de amor" (2001), fruto de parcerias com Carlinhos Brown e Marisa Monte, também recebeu destaque, reafirmando a capacidade de renovação do artista mesmo em períodos posteriores de sua carreira.

Conclusão do Tributo Antecipado

O espetáculo no Manouche funcionou como um tributo antecipado aos 85 anos que Erasmo Carlos completaria em 5 de junho, apenas três dias após o show. A apresentação, independentemente das limitações inerentes ao formato cover, serviu fundamentalmente para reafirmar a importância histórica de um dos mais relevantes compositores da música brasileira, cuja influência atravessou gerações e continua ressonando na indústria musical contemporânea.

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