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Suprema Corte nega pedido de Trump para anular votos da Califórnia

Suprema Corte nega pedido de Trump para anular votos da Califórnia
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Suprema Corte nega pedido de Trump para anular votos da Califórnia

A Suprema Corte dos Estados Unidos rejeitou, nesta segunda-feira (2), uma solicitação do governo presidencial para anular votos da Califórnia que seriam de pessoas não cidadãs. A decisão marca mais um revés legal para a administração republicana na tentativa de interferir no processo eleitoral californiano, ocorrendo um dia antes das eleições legislativas de meio de mandato, consideradas cruciais para definir o controle do Congresso americano.

O recurso buscava separar aproximadamente 20 mil votos da lista de eleitores do estado, identificados pela administração como prováveis não cidadãos. A Califórnia, estado predominantemente democrata, contestou o pedido argumentando que a lista apresentava numerosos erros e que a medida prejudicaria eleitores legiticamente habilitados.

Contexto da Disputa Judicial

Este episódio integra uma série de confrontos judiciais pré-eleitorais que caracterizaram o período anterior às votações de meio de mandato. O governo Trump estabeleceu como prioridade institucional a identificação de eleitores não cidadãos, apesar de tais casos serem estatisticamente raros no sistema eleitoral americano.

Em setembro anterior, a Suprema Corte havia rejeitado outra tentativa de restricionar o voto pelo correio em todo o país. Contudo, a mesma corte decidiu favoravelmente ao governo em diversos outros recursos emergenciais relacionados ao processo eleitoral.

Decisões de Tribunais Inferiores

Antes da rejeição pela Suprema Corte, um juiz de primeira instância já havia negado o pedido do Departamento de Justiça. O magistrado advertiu que a medida impediria cidadãos americanos de exercer seu direito de voto nas eleições de meio de mandato daquela terça-feira.

Na mesma segunda-feira, em Washington, outro juiz federal também decidiu contra as exigências de última hora impostas pelo governo às autoridades eleitorais californianas. O juiz-chefe James Boasberg escreveu em sua decisão: "O Poder Executivo provavelmente violou a Cláusula Eleitoral da Constituição, que atribui a autoridade sobre as regras eleitorais exclusivamente aos estados e ao Congresso".

Um painel de três juízes de tribunal de apelações manteve a decisão contra o governo por votação de 2 a 1. Interessantemente, um magistrado indicado por Trump e outro indicado pelo presidente Joe Biden votaram pela manutenção da ordem judicial. O terceiro integrante, também nomeado por Trump, discordou, argumentando que a recusa californiana em separar votos incentivava a violação da lei federal.

Problemas com os Dados Apresentados

Durante audiência judicial, a juíza distrital Trina Thompson questionou detalhadamente os relatos sobre imprecisões nos dados do Departamento de Justiça. Ela perguntou ao advogado governamental Kenneth Kao se havia "uma alta taxa de erros". Kao respondeu afirmativamente, reconhecendo ser uma "afirmação justa" e explicando que solicitavam ajuda das autoridades eleitorais para verificar a validade dos eleitores listados.

Simultânea e contraditorialmente, Bill Essayli, procurador federal responsável pelo escritório do Departamento de Justiça em Los Angeles, afirmou em coletiva de imprensa estar "bastante confiante" de que as pessoas da lista não tinham direito a votar. "Isso não é especulação. Isso não é uma teoria", declarou Essayli, admitindo posteriormente a possibilidade de erros listados.

Realidades Logísticas e Operacionais

A votação californiana começou no início de outubro, com todos os aproximadamente 23 milhões de eleitores registrados recebendo cédulas pelo correio. Centenas de milhares de votos já haviam sido processados quando o governo apresentou sua solicitação de separação.

Autoridades eleitorais estaduais declararam ser logisticamente impossível localizar e separar os votos contestados naquele momento. O juiz federal David O. Carter, indicado pelo presidente Bill Clinton, alertou que tal separação provocaria "caos" nas eleições e prejudicaria a confiança democrática. Carter escreveu: "Se o Executivo puder desconsiderar votos e ameaçar uma eleição em andamento com base em alegações não comprovadas, então nossa democracia estará em perigo".

Posicionamentos Políticos

O procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, um democrata, criticou duramente o recurso, afirmando que ele "cheira a desespero e é mais uma tentativa de minar nossas eleições e atropelar o Estado de Direito". Tal posicionamento refletia a preocupação estadual com as implicações constitucionais e democráticas da ação federal.

O governo federal tentou acelerar o andamento do caso, solicitando sem sucesso a intervenção antecipada de um tribunal de apelações. Esta estratégia de urgência contrastava com a falta de comprovação sólida dos dados alegadamente suspeitos.

Implicações para o Processo Democrático

A rejeição pela Suprema Corte do pedido para anular votos da Califórnia representou um ponto de inflexão importante nas disputas pré-eleitorais. A decisão reafirmou o princípio constitucional de que os estados, não o governo federal, possuem autoridade primária sobre as regras eleitorais. Tal precedente estabeleceu proteções importantes contra interferências executivas no processo democrático, particularmente quando baseadas em dados não totalmente confiáveis ou apresentadas próximo demais ao dia da eleição.

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