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Ministro critica rótulos para facções criminosas na OEA

Ministro critica rótulos para facções criminosas na OEA
Fonte: g1.globo.com/politica/noticia/2026/06/23/rotular-organizacoes-criminosas-gera-confusao-e-nao-desmantela-faccoes-diz-ministro-de-lula.ghtml

Posicionamento do Brasil sobre classificação de facções

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, manifestou-se contrário à prática de rotular organizações criminosas, argumentando que tal ação gera confusão no cenário internacional e não contribui efetivamente para o desmantelamento das facções. A declaração foi proferida durante discurso na Assembleia Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA) realizado na terça-feira (23), com texto integral divulgado pelo Itamaraty.

Contexto da designação terrorista dos EUA

A posição brasileira surge em resposta à recente ação do Departamento de Estado dos Estados Unidos, que anunciou a classificação das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Essa medida representa um ponto de tensão na abordagem dos dois países quanto ao enfrentamento do crime organizado na América Latina.

Argumentação técnica do chanceler brasileiro

Em seu discurso, Mauro Vieira delineou a natureza específica das estruturas criminosas enfrentadas pelos Estados membros da OEA. Segundo o ministro, trata-se de estruturas movidas primariamente pelo lucro, que buscam controlar territórios e mercados ilícitos, características distintas de outras ameaças à segurança internacional.

O chanceler alertou contra o que denominou "tentação de reclassificar sob rótulos que confundem fenômenos de naturezas distintas". Na visão do governo brasileiro, categorias importadas de outros contextos geopolíticos não contribuem para desmantelar as redes criminosas de forma eficaz.

Cooperação bilateral como alternativa

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já havia manifestado disposição em aceitar assistência dos Estados Unidos no combate às organizações criminosas, porém sob a modalidade de cooperação bilateral, estabelecendo condições claras para a parceria. Nessa linha, o governo brasileiro apresentou ao presidente Donald Trump propostas específicas de parcerias destinadas ao enfrentamento do crime organizado entre os dois países.

Impactos da nomenclatura na inteligência internacional

Mauro Vieira apontou que atribuir diferentes designações às mesmas organizações criminosas limita significativamente o intercâmbio de inteligência entre as nações. Além disso, segundo o ministro, essa prática pode converter-se em pretexto para respostas que ignoram fronteiras nacionais, jurisdições específicas e o princípio de igualdade soberana entre as nações.

Crime organizado como ameaça regional

Durante o discurso na OEA, o ministro enfatizou que o crime organizado "não respeita fronteiras" e se revelou como "um dos problemas mais graves a afetar as diferentes regiões" do continente americano. Essa constatação fundamenta a necessidade de abordagens coordenadas entre múltiplos países.

O governo brasileiro confere a máxima prioridade ao combate ao crime organizado, reconhecendo que qualquer esforço nacional isolado será insuficiente sem acompanhamento de cooperação entre todos os Estados membros da organização hemisférica.

Mecanismos de cooperação propostos

O chanceler brasileiro ressaltou a importância fundamental de aprofundar a coordenação e manter diálogo permanente entre as polícias nacionais e serviços de inteligência dos países americanos. Igualmente relevante, conforme destacou Vieira, é fortalecer mecanismos de assistência jurídica mútua que permitam ações coordenadas sem comprometer a soberania das nações envolvidas.

A posição do Brasil reflete uma estratégia diplomática que busca equilibrar a cooperação internacional com a preservação da autonomia decisória nacional, estabelecendo marcos claros para parcerias no combate às estruturas criminosas que afetam o continente.

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