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Câmara aprova urgência do projeto que criminaliza misoginia

Câmara aprova urgência do projeto que criminaliza misoginia
Fonte: g1.globo.com/politica/votacoes-no-congresso/noticia/2026/07/01/camara-aprova-urgencia-do-pl-da-misoginia-veja-como-votaram-deputados-e-partidos.ghtml

Aprovação da Urgência do Projeto que Criminaliza Misoginia

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (1º) a urgência do projeto de lei que criminaliza misoginia, uma proposta que busca punir atos que incitam violência contra mulheres. O resultado da votação foi significativo: 293 deputados votaram a favor, enquanto 158 se posicionaram contrários à aprovação da urgência. O termo misoginia refere-se ao ódio, aversão ou desprezo sistemático pelas mulheres, comportamento que o projeto busca enquadrar como crime perante a lei brasileira.

Votação por Partido Político

A votação que criminaliza misoginia revelou posicionamentos variados entre as diferentes legendas. Apesar da orientação contrária da liderança do Partido Liberal, dois deputados da sigla votaram favoravelmente: João Carlos Bacelar (BH) e Delegada Ione (MG). Este resultado demonstra que alguns parlamentares priorizaram a causa em questão sobre as orientações partidárias.

O bloco composto por União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, PSDB, Cidadania e Podemos deixou a votação a critério individual de cada parlamentar. No União Brasil, 32 deputados votaram a favor e 14 contra, com 1 abstenção. O Partido Progressista apresentou 27 votos favoráveis e 11 contrários. No PSD, foram 31 votos a favor e 9 contra, evidenciando uma maioria clara em prol da urgência. Os deputados do bloco governista, incluindo PT, PSOL e PCdoB, votaram unanimemente a favor, demonstrando alinhamento com a proposta.

Diferença Entre Urgência e Aprovação Final

É fundamental esclarecer que a aprovação da urgência não significa a aprovação final do projeto. Quando se aprova a urgência, acelera-se apenas o processo de tramitação, permitindo que o projeto pule as comissões especiais e vá direto ao plenário. Esta mudança de procedimento é crucial para que propostas importantes possam ser votadas em prazos menores.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), informou que o projeto será incluído na ordem do dia do plenário para discussão pelos congressistas. A aprovação final ocorrerá quando houver maioria simples, ou seja, quando o número de votos favoráveis for superior aos contrários. O único requisito indispensável é que esteja presente a maioria absoluta dos deputados, que corresponde a 257 parlamentares.

Relatoria e Próximos Passos

A deputada Tabata Amaral (PSB-SP) foi designada como relatora do projeto que criminaliza misoginia. Amaral já era responsável por um grupo de trabalho sobre o tema e vinha articulando para que a votação ocorresse nesta semana na Câmara dos Deputados. Durante a sessão, o presidente Motta esclareceu que a proposta apresentada pelo grupo de trabalho não é definitiva, indicando que o relatório ainda será construído e aperfeiçoado.

Caso seja validado no plenário da Câmara, o projeto de lei seguirá direto para sanção presidencial. Uma versão anterior da proposta havia sido aprovada pelo Senado em março do presente ano. O recesso legislativo está marcado para 18 de julho, com retomada das atividades em 1º de agosto.

Detalhes da Proposta que Criminaliza Misoginia

O texto do projeto prevê que atos de misoginia sejam inclusos na Lei do Racismo e altera também o Código Penal brasileiro. A proposta estabelece pena de 2 a 5 anos de prisão para injúria cometida em razão da condição de mulher, equiparando-se à pena atualmente fixada para injúria racial. A punição pode ser aumentada em até metade se o crime for perpetrado por duas ou mais pessoas atuando conjuntamente.

Crimes Praticados na Internet

Para crimes cometidos pela internet, o texto possibilita a suspensão temporária de contas ou perfis utilizados para divulgar conteúdo ilícito. Esta medida busca combater o assédio digital e a disseminação de conteúdo misógino nas redes sociais, onde muitos desses crimes ocorrem atualmente.

Presença da Misoginia na Jurisprudência Brasileira

Apesar de ainda não estar formalmente incorporada à legislação brasileira, o termo misoginia já aparece em mais de 2 mil decisões judiciais desde 2015, conforme levantamento realizado. O conceito foi citado em processos envolvendo violência doméstica, assédio moral, ataques políticos, disputas trabalhistas e pedidos de indenização. Esta presença extensiva nas decisões judiciais demonstra a relevância prática do conceito e a necessidade de sua formalização legal para criminalizar misoginia de forma clara e efetiva.

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