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Binance retoma saques de criptomoedas após recompor roubo de US$ 6,3 bi

Binance retoma saques de criptomoedas após recompor roubo de US$ 6,3 bi
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Liberação dos saques na Binance após recomposição do roubo

A Binance, a maior corretora de criptomoedas do mundo, retomou no domingo (1º) os saques de bitcoin, ether e várias stablecoins após recuperar 95% dos ativos comprometidos pela invasão. A plataforma possibilitou que usuários retirassem seus fundos digitais novamente, marcando um passo importante na recuperação após o incidente de segurança. Até às 12h30 (horário de Brasília), a corretora havia processado US$ 3,64 bilhões (R$ 19,7 bilhões) em saídas líquidas de criptomoedas.

A Binance comunicou que outros ativos seriam disponibilizados gradualmente ao longo dos próximos dias. Na primeira fase da retomada, a plataforma abrangeu 15 criptoativos diferentes, incluindo bitcoin, ether, XRP e dogecoin. As operações de saque de bitcoin foram restauradas pouco depois das 3h (horário de Brasília), seguidas pelas retiradas de ether, BNB e das stablecoins USDT e USDC.

Recuperação de US$ 6 bilhões em ativos comprometidos

A Binance anunciou que conseguiu repor US$ 6 bilhões (R$ 32,5 bilhões) dos ativos roubados, utilizando recursos próprios para adquirir tokens de reposição. A empresa informou que os 5% restantes referem-se a ativos com menor liquidez no mercado, cuja aquisição nas quantidades necessárias pode demandar mais tempo devido às limitações de disponibilidade nas bolsas de criptografia.

A corretora reservou aproximadamente US$ 6,34 bilhões (R$ 34,4 bilhões) de seus próprios recursos financeiros para cobrir completamente as perdas ocasionadas pelo ataque. Os fundos utilizados para a recomposição dos tokens tiveram origem em diferentes reservas corporativas, incluindo o Secure Asset Fund for Users (SAFU), um fundo de segurança de aproximadamente US$ 1 bilhão (R$ 5,4 bilhões) mantido especificamente para proteger clientes em situações de incidentes de segurança.

Yi He, co-CEO da Binance, declarou que metade dos recursos do SAFU seria utilizada para cobrir as perdas decorrentes do roubo. A empresa se comprometeu publicamente a recompor este fundo de segurança posteriormente, restaurando-o para aproximadamente US$ 1 bilhão. Além do SAFU, a Binance utilizou parte do fundo de seguros relacionado a operações com futuros e recursos do caixa da companhia para financiar a recomposição dos ativos.

Ataque atribuído ao governo norte-coreano

O FBI divulgou no sábado que o grupo de hackers TraderTraitor, vinculado ao governo da Coreia do Norte, foi responsável pelo ataque à Binance. Segundo a agência federal americana, este pode representar o maior assalto financeiro da história, superando roubo anteriores no setor de criptomoedas. O incidente soma-se a uma série recente de ataques perpetrados contra plataformas de ativos digitais.

A Coreia do Norte nega há anos qualquer envolvimento com grupos cibernéticos estatais dedicados a espionagem, roubo de recursos financeiros e obtenção de receitas ilícitas. A missão norte-coreana em Genebra e a embaixada do país na China não forneceram comentários quando solicitadas sobre as acusações do FBI.

Os analistas de empresas americanas de análise de blockchain como TRM Labs e Chainalysis ratificaram a atribuição do roubo à Coreia do Norte. Eles observaram que a maior porção do ataque ocorreu em aproximadamente 20 minutos, começando na noite de quinta-feira, apresentando padrões similares a grandes invasões anteriores atribuídas ao governo norte-coreano.

Detalhes técnicos do ataque e investigação

Richard Teng, o outro co-CEO da Binance, caracterizou a invasão como um "ataque complexo" que envolveu um laptop comprometido e software malicioso desenvolvido especificamente para apagar rastros da atividade criminal, dificultando significativamente o processo de investigação pelos especialistas.

O FBI observou que autoridades americanas acompanharam membros do grupo de hackers realizando a conversão dos ativos roubados principalmente em ether. A agência federal antecipa novas etapas de lavagem de dinheiro destes recursos por intermédio de plataformas de finanças descentralizadas (DeFi) e serviços de troca instantânea de criptomoedas.

A Binance afirmou estar colaborando ativamente com parceiros do setor para congelar parcelas significativas dos ativos roubados. De acordo com a corretora, aproximadamente US$ 3 bilhões (R$ 16,3 bilhões) já haviam sido localizados até sexta-feira, representando um progresso considerável na recuperação dos fundos.

Impacto no mercado de criptomoedas e posição dos EUA

Os preços das criptomoedas experimentaram quedas na sexta-feira enquanto a Binance buscava tranquilizar seus clientes, reafirmando que os recursos dos usuários permaneciam seguros apesar do ataque sofrido. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou no sábado que o governo americano ainda não possuía certeza absoluta sobre o envolvimento da Coreia do Norte no incidente.

"Não sabemos se é a Coreia do Norte, mas, se for, conversaremos com a Coreia do Norte sobre isso", afirmou Trump a repórteres no sábado. A declaração foi publicada através de uma conta oficial da Casa Branca na plataforma X.

Resposta da empresa e reconhecimento às autoridades americanas

Changpeng Zhao, fundador da Binance, expressou gratidão às autoridades americanas por prestarem assistência fundamental no caso, particularmente no rastreamento e congelamento dos ativos roubados. Zhao havia sido anteriormente condenado nos Estados Unidos por deficiências no programa de compliance da Binance relacionado à prevenção de lavagem de dinheiro, sendo posteriormente perdoado pelo presidente Trump.

"Um post não consegue expressar totalmente nossa gratidão. Muitos entusiastas de criptomoedas podem não perceber, mas grande parte do mérito por o bitcoin não ter caído ainda mais é deles", escreveu Zhao em referência ao trabalho das autoridades americanas.

Contexto do roubo no setor de criptomoedas

O roubo da Binance representa parte de uma tendência preocupante no setor de ativos digitais. No ano anterior, criminosos roubaram o equivalente a US$ 2,9 bilhões (R$ 15,7 bilhões) em quase 150 ataques diferentes contra plataformas de criptomoedas, segundo pesquisadores da TRM Labs.

A Binance, que foi fundada na China, opera como plataforma que permite aos usuários comprar, vender e negociar ativos digitais. Segundo seu relatório anual de 2025, a corretora possuía 335 milhões de usuários registrados em todo o mundo e mantinha cerca de US$ 162,8 bilhões (R$ 888,6 bilhões) em ativos sob sua custódia, evidenciando sua posição dominante no mercado global de criptomoedas.

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