Nos últimos meses, temos visto um aumento significativo na taxa básica de juros (Selic) no Brasil. Esse movimento, realizado pelo Banco Central, tem como objetivo controlar a inflação e manter a estabilidade econômica do país. Porém, para Marília Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos, essa política econômica pode trazer consequências negativas para o mercado de crédito privado.
Em entrevista recente, Fontes alertou para o risco que o atual cenário de juros altos, risco fiscal e spreads baixos pode representar para o crédito privado. Segundo ela, essa combinação pode levar a um aumento nos chamados “eventos de crédito”, como os recentes casos da Ambipar, Braskem, Lojas Americanas e Light.
Mas afinal, o que são esses “eventos de crédito”? E como eles podem afetar o mercado de crédito privado? Para entendermos melhor, é necessário primeiro entender o que é o crédito privado.
O crédito privado é uma modalidade de investimento em que o investidor empresta dinheiro para empresas privadas, em troca de uma remuneração. Essa remuneração pode ser pré-fixada ou pós-fixada, e geralmente é maior do que a oferecida pelos investimentos em renda fixa tradicionais, como CDBs e títulos públicos.
Porém, como todo investimento, o crédito privado também possui riscos. E é aí que entram os “eventos de crédito”. Esses eventos são situações em que a empresa emissora do título de crédito não consegue honrar seus compromissos com os investidores, seja por problemas financeiros ou por má gestão.
No caso da Ambipar, Braskem, Lojas Americanas e Light, essas empresas enfrentaram dificuldades financeiras e tiveram que recorrer a renegociações de dívidas com seus credores. Isso pode resultar em perdas para os investidores, que podem não receber o valor total do investimento ou até mesmo perder parte dele.
E é justamente esse risco que preocupa Marília Fontes. Com a Selic alta, o custo do dinheiro se torna mais caro para as empresas, o que pode aumentar a probabilidade de eventos de crédito. Além disso, o risco fiscal do país também pode afetar a capacidade de pagamento das empresas, já que a instabilidade econômica e política pode impactar diretamente seus resultados.
Outro fator que contribui para esse cenário é a queda nos spreads, que é a diferença entre a taxa de captação dos bancos e a taxa de remuneração dos investidores. Com a Selic alta, os bancos tendem a reduzir os spreads para manter a atratividade do crédito privado, o que pode comprometer sua margem de lucro e, consequentemente, sua capacidade de honrar os compromissos com os investidores.
Diante desse cenário, é natural que os investidores se questionem sobre a segurança do crédito privado como opção de investimento. Porém, é importante destacar que esse mercado ainda possui boas oportunidades, desde que sejam tomados os devidos cuidados na seleção dos emissores dos títulos.
Uma das formas de minimizar os riscos é diversificar a carteira de investimentos, investindo em diferentes empresas e setores. Além disso, é fundamental realizar uma análise criteriosa das empresas emissoras dos títulos, avaliando sua saúde financeira, histórico de pagamentos e perspectivas de crescimento.
Outra opção é investir por meio de fundos de investimento, que possuem uma equipe especializada na gestão dos recursos e na seleção dos melhores títulos de crédito privado. Essa pode ser uma alternativa interessante para quem não possui conhecimento aprofundado do mercado de crédito privado.
Apesar dos riscos,











