Nos últimos meses, muito se tem discutido sobre a possibilidade de um corte na taxa básica de juros pelo Banco Central do Brasil (BC). A Selic, como é conhecida, já está em seu patamar mais baixo da história, a 2,25%, e muitos economistas acreditam que pode cair ainda mais, chegando até mesmo a 2% até o final do ano. No entanto, um importante estrategista e chefe de uma das maiores empresas de investimentos do país, a XP, alerta para um possível obstáculo a essa redução: os gastos do governo em ano eleitoral.
Fernando Ferreira, estrategista-chefe e head do Research da XP, é renomado por suas previsões econômicas assertivas e seu conhecimento profundo do mercado financeiro. Em entrevista recente para o portal InfoMoney, ele ressaltou que a postura do governo em relação aos seus gastos influenciará diretamente nas decisões do Banco Central sobre a taxa de juros.
Com as eleições municipais marcadas para o final do ano, é esperado que os gastos do governo aumentem, principalmente em áreas como infraestrutura e obras públicas. Esse tipo de investimento, embora possa ser benéfico para a economia em longo prazo, pode trazer um efeito contrário no curto prazo: a inflação. Com maior circulação de dinheiro na economia, os preços tendem a subir, o que causa preocupação para o Banco Central.
Ferreira explica que, diante desse cenário, o BC pode ter suas mãos “amarradas” e ser impedido de reduzir a taxa de juros, já que isso poderia agravar ainda mais a inflação. O mercado financeiro, então, fica em alerta, pois um possível corte na Selic seria importante para estimular a economia, principalmente em um momento de crise como o atual.
No entanto, esse não é o único fator que pode influenciar na decisão do BC. A evolução da pandemia do COVID-19 e os impactos econômicos do isolamento social também são fundamentais para a análise da taxa de juros. Ferreira ressalta que os casos de coronavírus ainda estão aumentando no Brasil, mesmo após meses de quarentena, o que pode resultar em uma recuperação econômica mais lenta.
O estrategista também destaca que a taxa de câmbio, que tem tido grande volatilidade nos últimos meses, também é um fator importante. A desvalorização do real frente ao dólar tem impacto direto nos preços dos produtos importados, o que pode refletir na inflação e, consequentemente, nas decisões do BC.
Porém, apesar desses possíveis obstáculos, Ferreira acredita que o cenário ainda é positivo para a economia brasileira. Ele ressalta que, mesmo com os impactos da pandemia e os gastos do governo, existe uma perspectiva de crescimento no segundo semestre, principalmente com o início da flexibilização da quarentena em diversas cidades do país.
O estrategista também aponta que os investimentos em infraestrutura e obras públicas podem trazer efeitos positivos na economia, incentivando a geração de emprego e estimulando novos negócios. Além disso, com a taxa de juros em patamares cada vez mais baixos, é esperado que os investimentos em renda variável, como a bolsa de valores, aumentem, o que também é positivo para a economia.
Ferreira finaliza a entrevista reforçando a importância da cautela e do acompanhamento constante da situação econômica do país. Ele ressalta que, apesar do cenário desafiador, a economia brasileira tem mostrado resiliência e, com a adoção de medidas econômicas efetivas, pode alcançar uma recuperação sólida e sustentável











