Nos últimos anos, a indústria da moda tem passado por uma grande transformação em relação à representatividade das mulheres em posições de poder. Apesar de ser um setor majoritariamente feminino, a alta costura sempre foi dominada por homens, tanto no papel de estilistas quanto de diretores criativos. No entanto, nos últimos anos, uma estilista em particular tem ganhado destaque e reacendido o poder das mulheres na alta costura: Maria Grazia Chiuri.
Chiuri se tornou a primeira mulher a assumir o cargo de diretora criativa da Dior em 2016, após a saída de Raf Simons. Sua chegada foi um marco na história da maison, que nunca havia sido liderada por uma mulher em seus quase 75 anos de existência. Desde então, ela tem sido responsável por trazer uma nova energia e perspectiva para a marca, além de reafirmar o poder das mulheres na moda.
Antes de assumir a Dior, Chiuri já havia feito história como a primeira mulher a comandar a linha de moda feminina da Valentino, ao lado de Pierpaolo Piccioli. Juntos, eles foram responsáveis por transformar a marca em uma das mais cobiçadas do mundo da moda, com suas criações românticas e femininas. No entanto, foi em seu papel solo na Dior que Chiuri pôde mostrar todo o seu potencial e influenciar a indústria da moda de uma forma ainda mais significativa.
Ao longo dos últimos anos, a estilista tem sido elogiada por suas coleções que celebram a força e a diversidade feminina. Em suas criações, Chiuri busca inspiração em mulheres reais, como a pintora mexicana Frida Kahlo e a escritora francesa Françoise Sagan. Ela também se inspira em movimentos feministas, como o “We Should All Be Feminists” de Chimamanda Ngozi Adichie, que já foi estampado em camisetas da marca.
Além disso, Chiuri tem usado sua plataforma para levantar discussões importantes sobre igualdade de gênero e diversidade na moda. Em 2017, ela apresentou uma coleção com camisetas que traziam frases como “Why Have There Been No Great Women Artists?” (Por que não existem grandes artistas mulheres?), em parceria com a artista plástica Judy Chicago. A mensagem era clara: é preciso dar mais visibilidade e oportunidades para as mulheres na arte e na moda.
A presença de Chiuri na Dior também tem sido fundamental para a quebra de estereótipos de gênero na moda. Em suas coleções, ela tem explorado a ideia de uma feminilidade mais fluida, que não se prende a padrões pré-estabelecidos. Em um desfile, por exemplo, ela apresentou uma série de looks com camisetas estampadas com a frase “Why Have There Been No Great Women Artists?” usadas por modelos masculinos e femininos, mostrando que a moda não tem gênero.
Além da Dior, outras grandes maisons também estão seguindo o exemplo de Chiuri e apostando em mulheres em cargos de liderança. Na Givenchy, a estilista britânica Clare Waight Keller se tornou a primeira mulher a assumir o cargo de diretora criativa em 2017, após a saída de Riccardo Tisci. Na Chanel, a designer Virginie Viard assumiu o comando da marca após a morte de Karl Lagerfeld, sendo a primeira mulher a liderar a maison desde sua fundação, em 1910.
A presença de mulheres em posições de poder na moda é um reflexo de uma sociedade que está cada vez mais consciente e engajada na luta por igualdade de gênero. E, nesse contexto, Maria Grazia Chiuri se destaca como uma das principais vozes femininas da moda atual. Sua influência e seu trabalho inspiram não só outras mulheres












