Um estudo realizado na Universidade Estadual Paulista (Unesp) trouxe novas perspectivas no tratamento de mulheres com mais de 45 anos que sofrem com problemas de fertilidade. Segundo os resultados obtidos, a suplementação com baixas doses de uma substância específica quase dobrou a resposta ao tratamento. Um avanço significativo e promissor para aquelas que desejam engravidar.
O estudo, realizado com 80 pacientes entre 45 e 55 anos que estavam passando por tratamentos de fertilização in vitro, teve como objetivo avaliar o efeito da suplementação com a melatonina, hormônio naturalmente produzido pelo nosso organismo. Os resultados foram surpreendentes: cerca de 80% das mulheres que receberam a suplementação apresentaram uma resposta positiva ao tratamento, enquanto apenas 40% das pacientes do grupo controle tiveram sucesso.
A Dra. Paula Ribeiro, responsável pela pesquisa, explica que a melatonina vem ganhando destaque na área da reprodução assistida por ser um hormônio que atua regulando o ciclo circadiano, responsável pelo sono e metabolismo, e por sua ação antioxidante. “Com o avanço da idade, a produção de melatonina diminui, o que pode afetar a qualidade dos óvulos e dificultar a ovulação”, afirma. Portanto, a suplementação com baixas doses do hormônio pode ajudar a equilibrar esses fatores e aumentar as chances de sucesso nos tratamentos de fertilidade.
Além disso, a melatonina também tem a capacidade de proteger os óvulos da ação dos radicais livres, que podem causar danos ao DNA e prejudicar a fertilização. Sua ação antioxidante também pode melhorar a qualidade dos óvulos, tornando-os mais propensos a serem fertilizados com sucesso.
Os resultados desse estudo são animadores para as mulheres que desejam engravidar após os 45 anos, pois a idade é um fator que pode dificultar a gravidez e aumentar os riscos de complicações durante a gestação. Segundo o estudo, a melatonina também pode ser uma aliada na melhora da qualidade dos óvulos em pacientes mais jovens, aumentando as chances de sucesso nos tratamentos de fertilização.
É importante ressaltar que a suplementação foi feita com baixas doses do hormônio, o que torna o tratamento seguro e sem grandes efeitos colaterais. A Dra. Paula Ribeiro alerta que o uso da melatonina deve ser feito sob orientação médica e que apenas a suplementação não garante o sucesso do tratamento. “É preciso adotar um estilo de vida saudável, incluindo hábitos alimentares adequados e a prática de exercícios físicos, para obter melhores resultados”, afirma.
Outro ponto importante destacado pelo estudo é que a suplementação com melatonina pode ajudar a reduzir a necessidade de métodos mais invasivos, como a utilização de altas doses de hormônios para estimular a ovulação. Com menos intervenções, os riscos de complicações também são reduzidos, trazendo mais segurança para as pacientes.
Em resumo, o estudo realizado na Unesp comprova que a suplementação com baixas doses de melatonina pode ser uma opção eficaz e segura para aumentar a resposta aos tratamentos de fertilização em mulheres com mais de 45 anos. Além disso, essa substância pode trazer benefícios para a qualidade dos óvulos e reduzir a necessidade de intervenções mais agressivas. É mais uma esperança para as mulheres que sonham em ser mães após essa faixa etária. Mas é essencial que qualquer tratamento seja feito sob a orientação de um profissional de saúde especializado, para garantir a segurança e o melhor resultado










