Do tapete vermelho às passarelas, a moda tem se tornado muito mais do que apenas uma forma de se vestir. Ela se tornou uma ferramenta poderosa para expressar posicionamentos e ideias, e a neutralidade tem se tornado cada vez mais uma exceção.
Antigamente, a moda era vista apenas como uma indústria que ditava tendências e padrões de beleza. Mas, nos últimos anos, ela tem se transformado em um meio de comunicação e expressão, permitindo que as pessoas mostrem ao mundo quem elas são e no que acreditam.
Um exemplo disso é o tapete vermelho dos eventos de gala e premiações. Antes, era comum vermos celebridades usando vestidos glamorosos e joias caríssimas, seguindo um padrão de beleza imposto pela sociedade. Porém, nos últimos anos, muitas artistas têm aproveitado esse momento para fazer declarações políticas e sociais através de suas roupas.
Um dos casos mais marcantes foi o do Globo de Ouro de 2018, onde as atrizes se vestiram de preto em apoio ao movimento #MeToo, que denuncia casos de assédio e abuso sexual em Hollywood. Além disso, muitas delas usaram broches com a frase “Time’s Up”, que significa “o tempo acabou” e representa o fim da tolerância com o assédio.
Outro exemplo é o Met Gala, um dos eventos mais importantes da moda, que tem um tema diferente a cada ano. Em 2019, o tema foi “Camp: Notes on Fashion”, que abordava a cultura drag e a excentricidade. Muitas celebridades aproveitaram a oportunidade para mostrar sua criatividade e fazer declarações sobre a liberdade de expressão e a quebra de padrões.
Além dos eventos de gala, as passarelas também têm sido palco de posicionamentos e debates. Cada vez mais, marcas e estilistas têm utilizado suas coleções para abordar questões sociais, políticas e ambientais.
Um exemplo recente é a coleção da marca francesa Balenciaga, que trouxe modelos usando camisetas com frases como “Save our planet” (salve nosso planeta) e “Think big” (pense grande). A grife também fez uma parceria com a ONG World Food Programme, que luta contra a fome no mundo, e doou parte dos lucros da coleção para a organização.
Outra marca que tem se destacado por seus posicionamentos é a Gucci. Em sua coleção de outono/inverno 2020, a marca trouxe modelos usando roupas que faziam referência à luta pelos direitos das mulheres, como blazers com ombreiras exageradas e vestidos com estampas de úteros.
Além disso, a Gucci também tem se posicionado em questões raciais, com a criação de uma fundação para promover a diversidade e a inclusão na moda e a contratação de mais funcionários negros.
Esses são apenas alguns exemplos de como a moda tem sido utilizada como uma forma de expressão e posicionamento. E isso não se limita apenas às grandes marcas e celebridades, mas também se estende para as pessoas comuns.
Com o crescimento das redes sociais, as pessoas têm mais espaço para mostrar seu estilo e suas ideias para o mundo. Muitas vezes, uma simples camiseta com uma frase de impacto pode gerar debates e reflexões importantes.
Além disso, a moda também tem sido utilizada como uma forma de representatividade. Cada vez mais, marcas têm se preocupado em oferecer uma diversidade de tamanhos, cores e estilos em suas coleções, permitindo que mais pessoas se identifiquem e se sintam representadas.
Porém, apesar de todos esses avanços, ainda há muito a ser feito. A moda ainda é uma indústria que privilegia a beleza padrão e muitas vezes ignora












