A BlackRock, uma das maiores empresas de gestão de investimentos do mundo, enfrenta um novo desafio em sua trajetória de sucesso. Recentemente, grandes fundos de pensões holandeses decidiram retirar seus investimentos da empresa, em uma atitude simbolicamente modesta, mas que revela uma divergência crescente entre a abordagem europeia e a norte-americana em relação à governança corporativa e ao investimento responsável.
Essa decisão dos fundos de pensões holandeses reflete uma preocupação cada vez maior em relação aos critérios ESG (Environmental, Social and Governance) na gestão dos investimentos. Esses critérios levam em consideração aspectos ambientais, sociais e de governança corporativa nas decisões de investimento, buscando não apenas retornos financeiros, mas também impactos positivos para a sociedade e o meio ambiente.
Enquanto na Europa o investimento responsável vem ganhando cada vez mais destaque e se tornando uma prática comum, nos Estados Unidos ainda é visto com certo ceticismo por parte do mercado de investimentos. Isso fica evidente em uma pesquisa realizada pela Morgan Stanley em 2019, que revelou que apenas 29% dos investidores dos EUA priorizam os critérios ESG em suas decisões de investimento, enquanto na Europa esse número chega a 52%.
Essa divergência de abordagens pode ser explicada por diferentes cenários políticos e culturais. Os países europeus tendem a ter uma maior preocupação com questões relacionadas ao meio ambiente e ao bem-estar social, o que se reflete nas decisões de investimento. Além disso, a legislação e as regulações europeias em relação à governança corporativa são mais rígidas e exigentes, o que acaba influenciando também nas práticas de investimento.
Por outro lado, nos Estados Unidos, a prioridade ainda é dada aos retornos financeiros imediatos e não à responsabilidade social e ambiental. Além disso, o governo americano tem adotado uma postura mais flexível em relação às políticas ambientais e de governança corporativa, o que acaba refletindo no mercado de investimentos.
Essa diferença de mentalidade e de abordagem tem levado a uma crescente pressão por parte dos investidores europeus para que as empresas com as quais eles investem sejam mais responsáveis e transparentes em suas práticas. E isso se reflete no caso da BlackRock, que possui um grande número de investidores europeus e está sendo pressionada a adotar medidas mais efetivas em relação a questões ESG.
A decisão dos fundos de pensões holandeses também é um sinal de que a preocupação com o investimento responsável não se limita apenas à Europa, mas está se espalhando pelo mundo. Cada vez mais investidores estão se conscientizando da importância de considerar aspectos além do retorno financeiro em suas decisões de investimento, e isso pode influenciar diretamente no desempenho e na reputação das empresas.
Além disso, a crescente divulgação de práticas de greenwashing, ou seja, de empresas que se apresentam com uma imagem responsável e sustentável, mas que na prática não cumprem com esses valores, tem levado os investidores a serem mais cautelosos e a exigirem uma maior transparência e prestação de contas por parte das empresas nas quais eles investem.
Portanto, a decisão dos fundos de pensões holandeses de retirarem investimentos da BlackRock, mesmo que de forma simbólica, é um indicativo de que o investimento responsável veio para ficar e que as empresas precisam estar atentas a essa mudança de mentalidade do mercado. A responsabilidade social e ambiental deixou de ser apenas uma opção e se tornou um fator decisivo para o sucesso e a reputação das empresas no mundo dos negócios.
Cabe às empresas,









