O Serviço Nacional de Saúde (SNS) é um dos pilares da sociedade portuguesa, garantindo o acesso universal, gratuito e de qualidade aos cuidados de saúde. No entanto, nos últimos anos, tem sido alvo de críticas por parte da população devido à falta de recursos e à sobrecarga dos hospitais de agudos. Uma das situações preocupantes é o número de pessoas internadas nestes hospitais que não necessitam de cuidados de saúde agudos, mas sim de cuidados continuados ou integrados ou até mesmo de respostas sociais. De acordo com dados recentes, existem cerca de 2.800 casos deste tipo em todo o país.
Esta realidade, denunciada por vários profissionais de saúde, foi confirmada pelo Secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Francisco Ramos, em declarações aos jornalistas. Segundo ele, é necessário encontrar soluções para estas situações, de forma a que estas pessoas possam ter acesso aos cuidados de saúde adequados e não ocupem camas dos hospitais de agudos, que devem ser reservadas para os casos mais urgentes.
Uma das principais razões para esta situação é a falta de camas na rede nacional de cuidados continuados ou integrados, que são estruturas que acolhem pacientes que já não necessitam de cuidados hospitalares intensivos, mas ainda precisam de acompanhamento médico e de reabilitação. Esta lacuna na resposta de saúde é reconhecida pelo próprio Secretário de Estado, que considera que é preciso “reforçar estas respostas, integrando-as melhor no sistema de saúde”.
Além disso, também é importante destacar que muitas destas pessoas deveriam ser referenciadas para respostas de natureza social, que são aquelas que visam dar apoio e assistência em outras áreas, como a alimentação, higiene, transporte, entre outras. Este acompanhamento é fundamental para garantir a qualidade de vida e a autonomia dos pacientes, evitando a sua permanência desnecessária nos hospitais.
É importante frisar que esta situação não só prejudica as pessoas que não deveriam estar internadas nos hospitais de agudos, mas também sobrecarrega o sistema de saúde, afetando o atendimento a outros pacientes que realmente necessitam de cuidados imediatos. Além disso, acaba por gerar custos desnecessários para o SNS, uma vez que o internamento em hospitais de agudos é mais dispendioso do que outras formas de cuidados.
Felizmente, o governo está empenhado em encontrar soluções para esta problemática. Uma das medidas já adotadas foi a criação de equipas multidisciplinares, compostas por médicos, enfermeiros, assistentes sociais e outros profissionais, que estão a trabalhar no sentido de identificar os casos em que é possível a transferência dos pacientes para as respostas mais adequadas.
Outra iniciativa importante é a melhoria da articulação entre os hospitais, as unidades de cuidados continuados e as respostas sociais, de forma a garantir uma transição mais eficiente e rápida para os pacientes. Nesse sentido, está em curso o projeto-piloto “Alta Segura”, que pretende melhorar a comunicação entre os diferentes níveis de cuidados e promover uma alta mais segura e integrada para os pacientes.
Além disso, existem também medidas de longo prazo em desenvolvimento, como a construção de mais unidades de cuidados continuados e integrados e uma maior aposta na formação e contratação de profissionais para estas áreas.
É importante destacar que a melhoria da resposta à saúde mental também é uma das prioridades, uma vez que muitos destes pacientes são portadores de doenças mentais ou demências e necessitam de cuidados específicos e especializados. Nesse sentido, o governo está a implementar o Plano Nacional para a Saúde Mental, que prevê a criação de










