O mercado financeiro tem sido marcado por uma grande expectativa em relação aos cortes na taxa básica de juros, a famosa Selic. No entanto, o economista-chefe do Itaú, Mario Mesquita, tem uma visão diferente e acredita que a inflação e os estímulos fiscais de um ano eleitoral podem segurar a taxa em um patamar mais elevado. Essa projeção do Itaú vai contra a média do mercado, que aposta em uma Selic mais baixa no final de 2026.
Mas por que o Itaú tem essa visão contrária ao mercado? E como isso pode impactar a economia e os investimentos? Vamos analisar mais detalhadamente essa projeção e entender os motivos por trás dela.
Em primeiro lugar, é importante entender que a taxa básica de juros é definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central e tem como objetivo controlar a inflação. Quando a inflação está alta, o Copom tende a aumentar a Selic para desestimular o consumo e, consequentemente, reduzir a demanda e os preços. Por outro lado, quando a inflação está baixa, o Copom pode reduzir a Selic para estimular a economia e o consumo.
Atualmente, a Selic está em 2% ao ano, o menor patamar da história. Isso se deve, em grande parte, à crise econômica causada pela pandemia do coronavírus, que levou o Copom a realizar uma série de cortes na taxa básica de juros ao longo de 2020. No entanto, com a retomada da economia e a expectativa de uma recuperação mais forte em 2021, muitos analistas acreditam que o Copom irá aumentar a Selic ao longo deste ano.
No entanto, o Itaú projeta que a Selic não irá cair tanto quanto o mercado espera. Segundo Mesquita, a inflação deve continuar pressionada em 2021, principalmente devido ao aumento dos preços dos alimentos e da energia elétrica. Além disso, o economista destaca que, em um ano eleitoral, é comum que o governo adote medidas de estímulo fiscal, o que pode aumentar ainda mais a pressão inflacionária.
Com isso, o Itaú projeta que a Selic encerrará 2021 em 3,5% ao ano, acima da média do mercado, que aposta em uma taxa de 3% ao ano. E essa diferença deve se manter ao longo dos próximos anos, com a Selic chegando a 5,5% ao ano no final de 2026, enquanto o mercado projeta uma taxa de 4,5% ao ano.
Mas qual o impacto dessa projeção do Itaú para a economia e os investimentos? Em primeiro lugar, é importante destacar que a Selic é um dos principais indicadores da economia e influencia diretamente os juros de empréstimos, financiamentos e investimentos. Com uma Selic mais alta, os juros tendem a subir, o que pode desestimular o consumo e o investimento das empresas.
Por outro lado, uma Selic mais alta pode ser positiva para os investidores que buscam rendimentos mais atrativos em aplicações de renda fixa, como os títulos públicos. Além disso, a projeção do Itaú também pode ser vista como um sinal de confiança na economia brasileira, já que uma Selic mais alta pode indicar uma recuperação mais forte e sustentável.
No entanto, é importante ressaltar que projeções econômicas podem mudar ao longo do tempo e que a Selic é apenas um dos fatores que influenciam a economia e os investimentos. Por isso, é fundamental que os investidores tenham uma visão ampla e diversificada de









