A velhice é uma fase da vida que muitas vezes é vista como sinônimo de declínio e limitações. No entanto, o renomado gerontólogo Alexandre Kalache nos lembra que a vida sexual não é uma exceção a essa regra. Apesar de sofrer mudanças, ela continua sendo uma parte importante e prazerosa da vida dos idosos.
Com o avanço da idade, é natural que o corpo sofra alterações que podem afetar a vida sexual. Mudanças hormonais, problemas de saúde e o uso de medicações podem impactar o desejo e o desempenho sexual. Além disso, a própria sociedade tende a enxergar a sexualidade como algo restrito aos jovens, reforçando o estereótipo de que os idosos são assexuados.
No entanto, estudos têm mostrado que a maioria dos idosos mantém uma vida sexual ativa e satisfatória. Uma pesquisa realizada pela Universidade de Chicago com mais de 3 mil pessoas com idade entre 57 e 85 anos, revelou que 73% dos entrevistados afirmaram ter uma vida sexual saudável e ativa. Outro estudo, conduzido pela Universidade da Califórnia, apontou que a frequência e a qualidade do sexo entre idosos é semelhante à dos jovens adultos.
O que esses estudos nos mostram é que é possível ter uma vida sexual ativa e prazerosa na velhice. A chave para isso é entender que a sexualidade é um aspecto que deve ser cultivado ao longo da vida e que pode ser adaptado às mudanças que ocorrem com o envelhecimento.
Segundo Kalache, o primeiro passo para uma vida sexual saudável na velhice é enxergar o envelhecimento como uma fase de crescimento e mudanças positivas, e não apenas como um declínio. É necessário romper com os estereótipos e preconceitos que cercam a sexualidade na terceira idade e valorizar a experiência e a sabedoria adquiridas ao longo dos anos.
Além disso, é importante lembrar que a sexualidade vai além da relação sexual. Beijar, abraçar, acariciar e trocar carícias são formas de expressão da sexualidade que podem ser vivenciadas em qualquer idade. O toque é uma linguagem universal e pode ser uma maneira de manter a intimidade e a conexão com o parceiro.
Outro fator importante para uma vida sexual saudável na velhice é o diálogo aberto e honesto com o parceiro. É fundamental que os idosos se comuniquem e expressem suas necessidades e desejos, além de estarem abertos a experimentar coisas novas. O sexo pode ser uma oportunidade para explorar a intimidade e a cumplicidade com o parceiro.
É importante também estar atento à saúde física e emocional. Problemas como a disfunção erétil e a falta de libido podem ter causas orgânicas, mas também podem estar relacionados a questões emocionais, como estresse e depressão. Buscar ajuda médica e psicológica pode ser fundamental para lidar com essas questões e melhorar a vida sexual.
Outro mito que deve ser desmistificado é o de que a velhice é sinônimo de falta de prazer sexual. Na verdade, com a maturidade, o prazer pode ser vivenciado de forma mais intensa e profunda. O foco deixa de ser apenas o orgasmo e passa a ser a conexão com o parceiro e o aproveitamento de cada momento juntos.
Portanto, de acordo com Alexandre Kalache, não há motivos para acreditar que a vida sexual deva ser deixada de lado na velhice. Pelo contrário, é uma fase da vida que pode trazer novas descobertas e experiências prazerosas. É preciso quebr










