João Vieira Borges, antigo Secretário de Estado da Defesa Nacional e atual Presidente do Instituto da Defesa Nacional, tem vindo a defender uma maior voz da Europa na cena internacional, especialmente quando confrontada com os discursos e atitudes do presidente norte-americano, Donald Trump. Borges acredita que a União Europeia deve reforçar a sua posição e influência, principalmente através do seu poder militar.
Numa entrevista recente, Borges afirmou que “a Europa não pode ficar passiva perante as posturas e decisões de Donald Trump”. O antigo Secretário de Estado da Defesa alertou para o facto de que a Europa não deve subestimar o poder militar dos Estados Unidos e deve estar preparada para enfrentar eventuais ameaças. Nesse sentido, Borges defende a necessidade de uma preparação militar para uma possível ocupação americana da Gronelândia, um território autónomo da Dinamarca que tem vindo a ser cobiçado pelos Estados Unidos por razões estratégicas.
Para Borges, uma das principais preocupações da Europa deve ser a questão dos Açores. Estas ilhas, situadas no Atlântico, são de importância estratégica para a União Europeia e para a NATO, uma vez que são um ponto de apoio estratégico para as operações militares no Atlântico Norte e no Mediterrâneo. Borges acredita que a UE deve estar atenta e acompanhar de perto as decisões que possam afetar a soberania dos Açores.
Além disso, o antigo Secretário de Estado da Defesa considera que é fundamental uma atualização do Conceito Estratégico de Defesa Nacional. Este documento, elaborado em 2013, estabelece as orientações políticas para a defesa e segurança nacional, mas para Borges é essencial que seja revisto e atualizado regularmente, tendo em conta as mudanças e desafios do contexto internacional.
No que diz respeito ao recrutamento para as Forças Armadas, Borges defende o modelo austríaco de Serviço Cívico no Estado. Neste modelo, os jovens têm a possibilidade de prestarem serviço ao Estado, não só na área militar, mas também em outras áreas como a saúde, educação e proteção civil. Borges acredita que este modelo é mais atrativo para os jovens e permite uma maior diversidade de funções, contribuindo assim para uma maior coesão social.
Além da questão militar, Borges sublinha também a importância de uma maior atenção diplomática por parte da Europa. Através de uma política externa e de defesa mais forte e coerente, a União Europeia pode reforçar a sua influência e presença na cena internacional, defendendo os seus interesses e valores. Borges alerta para o facto de que é necessário um maior investimento na vertente diplomática, uma vez que muitas vezes os conflitos podem ser resolvidos através do diálogo e da negociação.
Em relação à posição de Portugal, Borges considera que o país deve seguir uma política de defesa e segurança que esteja alinhada com a da União Europeia e da NATO. Para isso, é fundamental um maior investimento na modernização das Forças Armadas, na formação e capacitação dos militares e na cooperação com outros países da UE e da NATO.
Em suma, João Vieira Borges defende uma Europa mais forte e unida, com uma voz ativa e uma posição de destaque na cena internacional. Para isso, é necessário um maior investimento e cooperação na área da defesa e segurança, bem como uma política externa e de defesa mais coesa e eficaz. O antigo Secretário de Estado da Defesa acredita que é possível alcançar estes objetivos através de uma abordagem estratégica e uma maior preparação para enfrentar os desafios e ameaças que possam surgir.








