O acordo entre o Mercosul e a União Europeia, anunciado em junho de 2019, tem gerado muitas expectativas no setor do agronegócio brasileiro. A possibilidade de acesso a um mercado consumidor de mais de 500 milhões de pessoas e a redução de tarifas de exportação são vistos como oportunidades de crescimento para o setor. No entanto, analistas avaliam que as condições estabelecidas no acordo podem favorecer apenas grandes empresas exportadoras, em detrimento de produtores de menor escala.
Uma das principais preocupações dos analistas é a cota estabelecida para a exportação de produtos agrícolas do Mercosul para a União Europeia. Segundo o acordo, serão permitidas a exportação de 99 mil toneladas de carne bovina e 180 mil toneladas de açúcar, com tarifas reduzidas. Essa cota é considerada pequena em comparação com a produção brasileira e pode limitar os ganhos para os produtores de menor escala.
Além disso, o acordo também prevê a aplicação de barreiras não tarifárias, como exigências sanitárias e fitossanitárias, que podem dificultar o acesso dos produtores brasileiros ao mercado europeu. Essas barreiras são consideradas necessárias para garantir a segurança alimentar dos consumidores europeus, mas podem ser utilizadas como uma forma de proteção dos produtores locais.
Diante dessas condições, os analistas acreditam que apenas as grandes empresas exportadoras, com capacidade de produção e logística para atender às exigências do mercado europeu, serão beneficiadas pelo acordo. Produtores de menor escala, principalmente os agricultores familiares, podem enfrentar dificuldades para se adequar às exigências e competir com as grandes empresas.
Essa preocupação é compartilhada por representantes do setor do agronegócio. Segundo eles, o acordo pode trazer benefícios para o setor, mas é necessário que sejam criadas políticas públicas que garantam a inclusão dos produtores de menor escala nesse processo. Medidas como incentivos fiscais e programas de capacitação podem ajudar a fortalecer a produção local e ampliar as oportunidades de exportação.
No entanto, é importante ressaltar que o acordo entre o Mercosul e a União Europeia é uma grande conquista para o Brasil. A abertura de um mercado tão importante pode trazer impactos positivos para toda a cadeia do agronegócio, desde os produtores até os trabalhadores envolvidos na logística e exportação dos produtos. Além disso, o acordo também pode impulsionar a economia brasileira como um todo, gerando empregos e aumentando a arrecadação de impostos.
Outro ponto positivo é que o acordo prevê a redução de tarifas para a importação de produtos europeus, o que pode trazer benefícios para os consumidores brasileiros, que terão acesso a produtos de qualidade a preços mais competitivos. Isso pode estimular a concorrência no mercado interno e incentivar a melhoria da qualidade dos produtos nacionais.
Portanto, é importante que o governo brasileiro esteja atento às demandas do setor do agronegócio e tome medidas para garantir a inclusão dos produtores de menor escala no processo de exportação para a União Europeia. Além disso, é fundamental que sejam criadas políticas de incentivo à produção e à qualidade dos produtos nacionais, para que o Brasil possa se consolidar como um grande exportador de alimentos.
Em resumo, o acordo entre o Mercosul e a União Europeia pode trazer grandes oportunidades para o setor do agronegócio brasileiro, mas é necessário que sejam criadas condições para que os produtores de menor escala também possam se beneficiar desse processo. Com políticas públicas adequ










