Falta de acesso a camas e respostas de natureza social no Serviço Nacional de Saúde
O Serviço Nacional de Saúde (SNS) é conhecido por ser um dos pilares do sistema de saúde em Portugal, proporcionando cuidados de saúde acessíveis e de qualidade a toda a população. No entanto, recentemente, foi divulgado um dado alarmante: cerca de 2.800 pessoas estão internadas em hospitais de agudos, apesar de não serem casos que necessitem deste tipo de internamento.
De acordo com o Secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Francisco Ramos, esta é uma realidade que se verifica no SNS e que precisa de ser resolvida. Em declarações aos jornalistas, afirmou: “Nós sabemos que é uma realidade que nós temos no Serviço Nacional de Saúde é haver alguns milhares, cerca de 2.800 casos, de pessoas que não deviam estar internadas em hospitais de agudos, seja porque já deviam ter tido acesso a camas na rede nacional de cuidados continuados ou integrados, seja porque deviam ter sido referenciados para respostas de natureza social”.
Esta situação é preocupante, uma vez que reflete a falta de acesso a cuidados continuados e integrados, bem como a respostas sociais adequadas, por parte de alguns cidadãos. E é preciso encontrar soluções para que estes casos sejam resolvidos e as pessoas possam receber os cuidados que realmente necessitam.
O acesso a camas na rede nacional de cuidados continuados e integrados é fundamental para garantir que os doentes possam ter um acompanhamento adequado e continuado após a sua passagem pelos hospitais de agudos. Estas unidades oferecem cuidados de reabilitação, paliativos e de longa duração, entre outros, de forma a promover a recuperação dos doentes e a sua reintegração na sociedade. No entanto, muitas vezes, devido à falta de vagas, estas pessoas acabam por permanecer internadas em hospitais de agudos, ocupando camas que poderiam ser utilizadas por outros doentes que realmente necessitam de internamento hospitalar.
Por outro lado, a falta de respostas de natureza social também é uma realidade que não pode ser ignorada. Muitas vezes, estes doentes necessitam de apoio em casa ou em instituições que ofereçam cuidados de longa duração, mas a sua situação não é devidamente avaliada e encaminhada para as entidades competentes. É preciso desenvolver estratégias para identificar e referenciar estes casos, de forma a garantir que recebam a assistência necessária fora do ambiente hospitalar.
Felizmente, o Governo tem vindo a trabalhar para resolver esta situação. Em abril deste ano, foi anunciado um investimento de 20 milhões de euros para a criação de mais de 600 camas em unidades de cuidados continuados e integrados. Além disso, está prevista a revisão da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados, de forma a garantir que as necessidades dos doentes sejam adequadamente atendidas.
No que diz respeito às respostas de natureza social, também têm sido tomadas medidas para melhorar o acesso e a qualidade dos serviços. A criação de equipas de saúde comunitária, que acompanham os doentes após a sua alta hospitalar, é um exemplo disso. Estas equipas são compostas por profissionais de saúde e de outras áreas, como assistentes sociais e técnicos de reabilitação, que trabalham em conjunto para garantir o acompanhamento e a integração dos doentes na comunidade.
É importante destacar que estas medidas não só irão resolver a questão dos casos de internamento desnecessário, como também irão melhorar o funcionamento do SNS como um todo, ao garantir que os recursos são utilizados da forma mais eficiente










