O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) se reúne a cada 45 dias para definir a taxa básica de juros, a Selic, que é um dos principais instrumentos de controle da inflação no Brasil. E, para a próxima decisão, que acontecerá nos dias 16 e 17 de março, os especialistas do mercado financeiro já têm suas previsões.
Segundo Eduardo Jarra e Luciano Rais, da Santander Asset, e Rodolfo Margato, da XP, o Copom deve adotar uma postura cautelosa, mantendo a Selic em 2% ao ano, mesmo diante de sinais de desaceleração da inflação. Essa decisão é baseada em diversos fatores que serão analisados a seguir.
Um dos principais motivos para a manutenção da Selic é a incerteza em relação à recuperação econômica do país. Apesar de alguns indicadores apontarem para uma melhora, ainda há muitos desafios a serem enfrentados, como o alto nível de desemprego e a queda na renda das famílias. Além disso, a pandemia da Covid-19 ainda não está controlada e pode trazer novas ondas de contaminação, o que pode afetar a retomada da economia.
Outro fator que deve ser levado em consideração é a situação fiscal do país. Com o aumento dos gastos públicos para combater os efeitos da pandemia, o governo enfrenta um grande desafio para equilibrar as contas e evitar uma crise ainda maior. Nesse cenário, uma alta na taxa de juros poderia prejudicar ainda mais a recuperação econômica, já que encareceria o crédito e dificultaria o acesso ao capital por parte das empresas e dos consumidores.
Além disso, a inflação, que é o principal indicador que o Copom leva em conta para definir a Selic, tem apresentado sinais de desaceleração. Em janeiro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 0,25%, abaixo do esperado pelo mercado. Isso mostra que a demanda ainda está fraca e que os preços não estão subindo de forma descontrolada.
No entanto, é importante ressaltar que a inflação ainda está acima da meta estabelecida pelo governo, que é de 3,75% para este ano. Além disso, há incertezas em relação ao comportamento dos preços no futuro, principalmente com a alta do dólar e a pressão sobre os preços dos alimentos. Por isso, é necessário manter uma postura cautelosa e monitorar de perto a evolução da inflação nos próximos meses.
Outro ponto que deve ser considerado é a taxa de câmbio. Com a Selic em patamares historicamente baixos, o Brasil se tornou um destino atrativo para investidores estrangeiros em busca de rendimentos mais altos. Isso tem pressionado o dólar para baixo, o que é positivo para a inflação, já que muitos produtos são importados e ficam mais baratos com a moeda americana mais baixa.
No entanto, essa valorização do real pode ser prejudicial para as exportações brasileiras, que ficam menos competitivas no mercado internacional. Além disso, a alta do dólar pode afetar a inflação de forma indireta, já que muitos insumos utilizados na produção são cotados em dólar. Por isso, é importante manter a Selic em um patamar que não atraia tanto capital estrangeiro e não prejudique as exportações.
Diante de todos esses fatores, é possível entender a postura cautelosa que deve ser adotada pelo Copom na próxima decisão. Manter a Selic em 2% ao ano é uma forma de garantir a estabilidade da economia e evitar









