No passado dia 26 de outubro, o Partido Social Democrata (PSD) assumiu um executivo municipal em Sintra, com o apoio do partido Chega e do presidente dos liberais, que fazia coligação com o PSD liderado por Marco Almeida. No entanto, esta aliança política levantou algumas questões e dúvidas sobre a posição do ex-líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, que sempre defendeu a ideia de que “não é não” em relação a qualquer tipo de acordo com o Chega.
Desde que assumiu a liderança do PSD, Rui Rio tem sido bastante claro em relação à sua posição em relação ao partido de extrema-direita, afirmando que não faria qualquer tipo de acordo ou coligação com o Chega. Esta posição foi também defendida por Luís Montenegro, que durante a campanha para as eleições internas do PSD, em janeiro deste ano, afirmou que “não é não” em relação ao Chega.
No entanto, com a recente aliança em Sintra, muitos questionaram se Luís Montenegro estaria a contrariar a sua posição de “não é não”. O ex-líder parlamentar do PSD foi um dos principais apoiantes de Marco Almeida, que liderava a coligação entre os liberais e o PSD em Sintra. Além disso, Montenegro foi também um dos responsáveis pela escolha de André Ventura, líder do Chega, como candidato à Câmara Municipal de Loures nas últimas eleições autárquicas.
No entanto, Luís Montenegro veio a público esclarecer que a sua posição em relação ao Chega não mudou e que a aliança em Sintra não vai contra os seus princípios. Segundo Montenegro, a aliança em Sintra foi uma decisão local, tomada pelos militantes do PSD e que não representa uma mudança de posição em relação ao Chega a nível nacional.
De facto, a aliança em Sintra não é a primeira vez que o PSD se une ao Chega a nível local. Em Loures, por exemplo, o PSD também fez uma coligação com o partido de extrema-direita nas últimas eleições autárquicas. No entanto, esta aliança não foi suficiente para garantir a vitória, uma vez que o atual presidente da Câmara, Bernardino Soares, do Partido Comunista Português, foi reeleito.
Apesar de alguns críticos apontarem que a aliança em Sintra pode ser vista como uma mudança de posição do PSD em relação ao Chega, a verdade é que esta aliança é apenas uma estratégia política local, que não reflete a posição do partido a nível nacional. Além disso, é importante lembrar que o PSD é um partido democrático e que respeita a vontade dos seus militantes e eleitores.
É também importante salientar que, apesar de algumas divergências políticas, o PSD e o Chega têm algumas ideias em comum, como a defesa da redução de impostos e a luta contra a corrupção. No entanto, é preciso ter em conta que o Chega também defende ideias que vão contra os valores democráticos e constitucionais, o que torna impossível uma aliança a nível nacional.
Em suma, a aliança em Sintra entre o PSD, o Chega e os liberais não representa uma mudança de posição do PSD em relação ao Chega a nível nacional. Esta aliança é apenas uma estratégia política local, que não reflete a posição do partido a nível nacional. O PSD continua a defender os seus valores democráticos e a respeitar a vontade dos seus militantes e eleitores.









