O estresse é uma resposta natural do nosso corpo a situações desafiadoras e estímulos externos. No entanto, quando esse estado se torna constante e persistente, pode causar sérios danos à saúde mental e física. Estudos realizados pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) têm indicado que os efeitos do estresse no cérebro podem ser diferentes em homens e mulheres, especialmente no que diz respeito ao hipocampo e à amígdala. Essas descobertas são extremamente relevantes e apontam caminhos para terapias personalizadas, buscando melhorar a qualidade de vida das pessoas afetadas pelo estresse.
O hipocampo e a amígdala são duas regiões do cérebro responsáveis por processar e regular emoções e memórias. O hipocampo está associado à memória e aprendizado, enquanto a amígdala é responsável pela resposta ao medo e à ansiedade. Estudos anteriores já haviam mostrado que o estresse crônico pode causar alterações no tamanho e funcionamento dessas duas áreas cerebrais, mas a pesquisa da Unesp foi a primeira a investigar como essa resposta pode variar entre homens e mulheres.
Em um primeiro estudo, foram analisados ratos submetidos a um período prolongado de estresse crônico. Os resultados mostraram que, nos machos, o hipocampo foi mais afetado do que a amígdala, enquanto nas fêmeas, o oposto foi observado. Uma hipótese levantada pelos pesquisadores é que hormônios sexuais podem influenciar essas diferenças, já que estrogênio e testosterona têm efeitos distintos nas células cerebrais. Além disso, acredita-se que fatores sociais e ambientais também possam estar envolvidos nessa resposta diferenciada entre os gêneros.
Essa descoberta é extremamente importante, pois aponta para a necessidade de abordagens terapêuticas diferenciadas para homens e mulheres. Segundo a pesquisadora Ana Cláudia Cassano, coordenadora do estudo, “é fundamental que haja um olhar mais cuidadoso e individualizado para cada pessoa. Não podemos tratar todos os pacientes da mesma maneira, uma vez que seus cérebros respondem de formas distintas ao estresse”. O estudo sugere que as terapias baseadas em exercícios físicos, por exemplo, podem ser mais eficazes em homens, enquanto as terapias baseadas em mindfulness e meditação podem ser mais benéficas para mulheres.
Em um segundo estudo, a equipe de pesquisadores se aprofundou nas diferenças de gênero e descobriu que, em machos, o estresse crônico pode levar a alterações no hipocampo, afetando o comportamento alimentar, enquanto nas fêmeas, a amígdala é mais afetada, resultando em transtornos de ansiedade. Essa diferenciação pode ajudar no desenvolvimento de tratamentos mais precisos e direcionados, considerando as particularidades de cada um.
Além disso, a pesquisa também aponta para a importância de estratégias de prevenção do estresse. Diante de um cenário de aumento de casos de transtornos mentais, é fundamental que as pessoas busquem formas de gerenciar e lidar com o estresse, seja por meio de atividades físicas, meditação ou outros métodos que possam ajudar a manter uma mente mais equilibrada e saudável.
Em resumo, as descobertas da Unesp são extremamente significativas e indicam uma direção promissora para terapias personalizadas e prevenção do estresse. A diferenciação entre machos e fêmeas pode ser determinante para o sucesso do tratamento e para a melhora da qualidade de vida das pessoas afetadas por essa condição. Ag








