A inflação é um tema que sempre causa preocupação e impacto na economia de um país. Por isso, qualquer notícia relacionada a esse indicador é sempre acompanhada de perto pelos especialistas e pela população em geral.
No Brasil, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) é considerado uma prévia da inflação oficial, medida pelo IPCA. Ele é divulgado mensalmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e reflete o comportamento dos preços no período entre o dia 16 do mês anterior e o dia 15 do mês atual. Neste mês de novembro, o IPCA-15 apresentou uma alta de 0,81%, ficando acima do registrado em outubro (0,94%), mas ainda assim abaixo das expectativas do mercado (0,89%).
Mas o que chamou a atenção nessa prévia da inflação foi o peso da deflação em alimentos, especialmente em carnes, e o recuo de itens in natura. Esses fatores contribuíram para que o índice não subisse tanto quanto o esperado. A alimentação em domicílio, que havia registrado uma alta de 2,24% em outubro, apresentou uma variação de apenas 1,12% em novembro. Isso significa que o consumidor pode ter sentido um alívio no bolso na hora de ir ao supermercado, já que os preços de alguns produtos estão mais baixos.
Uma das principais razões para a queda nos preços das carnes é a retomada da produção. Após um período de crise em 2019, o setor de carnes conseguiu se recuperar e aumentar a oferta, o que acaba impactando diretamente nos preços. Além disso, o dólar em alta também teve um papel importante nessa queda, pois estimulou as exportações e, consequentemente, reduziu a oferta de carne no mercado interno.
Outro fator que contribuiu para a desaceleração da prévia da inflação foi o recuo nos preços dos itens in natura, como frutas e verduras. Isso pode ser explicado pela sazonalidade desses produtos e também pela melhora na produção de algumas culturas, que sofreram com problemas climáticos ao longo do ano.
Apesar da desaceleração da inflação ser um fator positivo para a economia, é importante destacar que a média dos núcleos, que exclui itens voláteis como alimentos e energia, segue avançando abaixo do esperado. Isso indica que o recuo da inflação pode ser mais consistente e duradouro, o que é uma boa notícia para o consumidor, mas pode trazer desafios para a política monetária do país.
É preciso lembrar que o Banco Central tem como meta manter a inflação dentro da margem de tolerância estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3,75% para 2020, com intervalo de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Por isso, se a inflação continuar desacelerando, pode haver espaço para novos cortes na taxa básica de juros, a Selic, que atualmente está em seu menor patamar histórico, a 2%.
No entanto, é importante ressaltar que a deflação em alimentos é um fenômeno pontual e que não deve se estender para outros setores. Além disso, a recuperação econômica do país ainda é lenta e, com a pandemia de Covid-19 ainda em curso, é difícil prever como a inflação irá se comportar nos próximos meses.
De qualquer forma, a desaceleração da prévia da inflação é um alívio para o consumidor brasileiro, que ainda está se recuperando dos impactos econômicos da pandemia. Com preços mais estáveis, o poder










