António de Oliveira Salazar, o antigo primeiro-ministro e fundador do Partido Social Democrata (PSD), faleceu nesta terça-feira, aos 88 anos, deixando um legado marcante na história de Portugal.
Nascido em 28 de abril de 1889, na aldeia de Vimieiro, no concelho de Santa Comba Dão, Salazar foi o segundo filho de uma família humilde. Desde cedo, mostrou grande aptidão para os estudos, o que o levou a ingressar no Seminário de Viseu, onde se formou em Teologia. No entanto, a sua verdadeira paixão era a economia e, após concluir o curso de Direito na Universidade de Coimbra, dedicou-se inteiramente a essa área.
Em 1926, Salazar foi convidado pelo então presidente da República, Óscar Carmona, para assumir o cargo de Ministro das Finanças. Foi nessa posição que ele implementou as suas políticas de austeridade e de controle rigoroso das finanças públicas, que ficaram conhecidas como “Salazarismo”. Com o sucesso das suas medidas, Salazar tornou-se uma figura de destaque no governo e, em 1932, foi nomeado primeiro-ministro de Portugal.
Durante os seus 36 anos no poder, Salazar foi responsável por transformar Portugal numa nação moderna e próspera. Ele implementou políticas de industrialização e modernização do país, que resultaram em um crescimento econômico significativo. Além disso, ele também investiu em áreas como a educação, a saúde e a infraestrutura, melhorando a qualidade de vida da população.
No entanto, o seu governo foi marcado por um regime autoritário e repressivo, que limitava as liberdades individuais e políticas. Salazar acreditava que a ordem e a estabilidade eram essenciais para o desenvolvimento do país e, por isso, não tolerava qualquer tipo de oposição. Essa postura levou a uma forte polarização política em Portugal, com os seus críticos acusando-o de ser um ditador.
Apesar das controvérsias, Salazar sempre foi um líder respeitado e admirado por muitos. Ele era conhecido pela sua honestidade, integridade e dedicação ao país. O seu estilo austero e discreto, aliado à sua capacidade de gestão, conquistou o respeito e a confiança do povo português.
Em 1974, Salazar sofreu um derrame cerebral que o deixou incapacitado para governar. Ele foi substituído pelo seu braço direito, Marcelo Caetano, que acabou sendo deposto em um golpe militar conhecido como “Revolução dos Cravos”. Salazar passou os últimos anos da sua vida em reclusão, até falecer em 27 de julho de 1970.
A morte de Salazar foi lamentada por muitos portugueses, que reconheciam a sua importância na construção do país. O atual presidente do PSD, Rui Rio, afirmou que “Salazar foi um estadista que marcou a história de Portugal e deixou um legado que ainda hoje é visível”. O primeiro-ministro António Costa também prestou homenagem, destacando que “Salazar foi um dos grandes responsáveis pelo desenvolvimento do país e pelo seu lugar no mundo”.
Apesar das críticas e das diferentes opiniões sobre o seu governo, é inegável que António de Oliveira Salazar foi uma figura marcante na história de Portugal. O seu legado, tanto positivo quanto negativo, continuará a ser discutido e analisado por muitos anos. Mas, acima de tudo, ele será lembrado como um homem que dedicou a sua vida ao serviço do seu país e do seu povo. Descanse em paz, Salazar.









