No último dia 12 de abril, a XP Investimentos divulgou um relatório aos seus clientes sobre a fusão entre a Marfrig e a BRF. Segundo a XP, a acomodação das margens do negócio de frango pode dificultar uma valorização das ações da empresa resultante dessa união. Essa notícia pode ser um pouco desanimadora para os investidores, mas é importante analisar o cenário de forma mais ampla e entender os possíveis impactos dessa fusão no mercado.
O setor de agronegócio tem sido um dos pilares da economia brasileira, representando cerca de 21,4% do PIB do país em 2020, segundo dados do Ministério da Agricultura. E dentro desse setor, o segmento de aves tem se destacado cada vez mais, sendo responsável por 13,4% das exportações de produtos agropecuários brasileiros em 2020. Com isso, a fusão entre a Marfrig e a BRF pode gerar uma empresa ainda mais forte e competitiva no mercado de frangos.
No entanto, é importante observar que essa união também pode trazer alguns desafios. Uma das preocupações levantadas pela XP é a acomodação das margens do negócio de frango. Isso significa que, com a fusão, a nova empresa pode ter menos flexibilidade para aumentar os preços dos produtos, o que pode dificultar uma valorização das ações no curto prazo.
Essa situação pode ser agravada pela atual conjuntura do mercado internacional. Com a pandemia da COVID-19, muitos países, como Estados Unidos e China, aumentaram as restrições às importações de produtos avícolas brasileiros. Isso pode impactar diretamente a exportação de frangos da nova empresa, já que cerca de 40% da produção brasileira é destinada ao mercado externo.
Diante desse contexto, é natural que os investidores fiquem preocupados com a valorização das ações da empresa resultante da fusão entre a Marfrig e a BRF. No entanto, é importante lembrar que a XP também destacou aspectos positivos dessa união, como a diversificação da linha de produtos e a possibilidade de ganhos de sinergia.
Além disso, vale ressaltar que a Marfrig e a BRF são empresas sólidas e bem posicionadas no mercado de aves. A Marfrig é a segunda maior produtora de carne bovina do mundo e a quarta maior produtora de aves do Brasil, enquanto a BRF é a maior exportadora de frangos do país. Juntas, elas podem se tornar uma gigante do setor e conquistar ainda mais espaço no mercado internacional.
Outro ponto importante a ser considerado é que a acomodação das margens do negócio de frango pode ser apenas uma situação temporária, que pode ser revertida com a recuperação da economia global e a retomada das importações por parte dos países compradores. Além disso, a nova empresa pode adotar estratégias para mitigar os possíveis impactos dessa queda nas margens, como a redução de custos e o aumento da eficiência produtiva.
É importante ressaltar que a fusão entre a Marfrig e a BRF ainda depende da aprovação dos órgãos reguladores, e a expectativa é que isso ocorra até o segundo semestre de 2021. Até lá, muitos cenários podem mudar e é possível que surjam novas oportunidades para a empresa.
Portanto, é preciso ter cautela ao analisar os possíveis impactos da fusão entre a Marfrig e a BRF. Mesmo com a projeção de uma acomodação das margens do negócio de frango, a união dessas empresas pode trazer diversos benefícios a longo prazo, como a diversificação de produtos e a maior presença no mercado internacional. Além











