Mais que nutrição, alimento é cidadania
Em um mundo onde a desigualdade social é uma realidade presente em diversas regiões, a importância da nutrição adequada muitas vezes é deixada de lado. Porém, é preciso entender que mais do que uma questão de saúde, o alimento é um direito básico de todo cidadão e uma forma de promover a cidadania.
A nutrição adequada é essencial para o bom funcionamento do nosso organismo, fornecendo os nutrientes necessários para manter a saúde e prevenir doenças. Porém, infelizmente, nem todos têm acesso a uma alimentação de qualidade. Segundo dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), cerca de 821 milhões de pessoas no mundo passam fome todos os dias.
No Brasil, a situação não é diferente. Apesar de ser um país com grande potencial agrícola, ainda há uma parcela significativa da população que sofre com a falta de alimentos. De acordo com o relatório “Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Brasil”, publicado em 2018, cerca de 5,2 milhões de brasileiros vivem em situação de insegurança alimentar grave, ou seja, não têm acesso regular e suficiente a alimentos.
Além disso, a desigualdade social também afeta a qualidade da alimentação. Enquanto algumas famílias têm acesso a uma variedade de alimentos nutritivos, outras se veem obrigadas a consumir alimentos de baixo valor nutricional, devido à falta de recursos financeiros. Isso pode levar a problemas de saúde, como a desnutrição e a obesidade, que afetam principalmente as populações mais vulneráveis.
Diante desse cenário, é preciso entender que o alimento vai além da nutrição. Ele é um direito humano básico e um fator determinante para a promoção da cidadania. Quando uma pessoa não tem acesso a uma alimentação adequada, ela é privada de viver com dignidade e de exercer sua cidadania plenamente.
Além disso, a falta de alimentos também pode afetar a capacidade de aprendizado e o desenvolvimento de crianças e jovens, comprometendo o futuro desses indivíduos e, consequentemente, o desenvolvimento do país. Por isso, é fundamental que o Estado e a sociedade se mobilizem para garantir o acesso a uma alimentação de qualidade para todos.
Nesse sentido, programas governamentais como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) são essenciais para garantir o direito à alimentação e promover a cidadania. O PNAE, por exemplo, garante a oferta de alimentação escolar de qualidade para os alunos da rede pública de ensino, contribuindo para a melhoria da saúde e do desempenho escolar. Já o PAA incentiva a agricultura familiar e a produção de alimentos saudáveis, promovendo a segurança alimentar e gerando renda para os pequenos produtores.
Além disso, é importante que a sociedade também se engaje em ações que promovam o acesso à alimentação para todos. Doações para instituições de caridade, participação em campanhas de arrecadação de alimentos e o consumo consciente são algumas formas de contribuir para a garantia desse direito básico.
É preciso entender que a nutrição adequada é um direito de todos e que o alimento é mais do que uma fonte de nutrientes, é um instrumento de inclusão social e de promoção da cidadania. Garantir o acesso a uma alimentação de qualidade é um dever de todos e uma forma de construir uma sociedade mais justa e igualitária.
Portanto, é fundamental que o tema da segurança alimentar e nutricional seja discutido e colocado em paut












