Nos últimos anos, a Venezuela tem sido um assunto recorrente nas manchetes internacionais, principalmente devido à crise política e econômica que o país enfrenta. Em meio a essa situação, a alegação de combate aos cartéis de drogas tem sido usada como justificativa para uma possível intervenção dos Estados Unidos na Venezuela. No entanto, segundo o renomado jornalista e escritor Leonardo Trevisan, essa alegação não é suficientemente comprovada e não deve ser usada como argumento para a interferência de um país em outro.
Em seu livro “O Novo Império”, Trevisan discute a influência dos Estados Unidos no mundo e como essa influência muitas vezes é exercida de forma unilateral e sem base sólida. O autor afirma que a alegação de combate aos cartéis de drogas é frequentemente utilizada como uma desculpa para a intervenção dos EUA em outros países, mas na realidade, isso é apenas uma forma de justificar interesses políticos e econômicos.
De fato, a Venezuela tem sido apontada como um dos principais países de origem do tráfico de drogas na América Latina. No entanto, essa alegação não pode ser vista de forma isolada, sem levar em conta o contexto político e social do país. A crise econômica e a instabilidade política na Venezuela têm contribuído para o aumento do tráfico de drogas, uma vez que muitas pessoas recorrem ao tráfico como forma de sobrevivência em meio à escassez de recursos e oportunidades.
Além disso, é importante ressaltar que a intervenção dos Estados Unidos em outros países muitas vezes não tem sido eficaz no combate ao tráfico de drogas. Um exemplo disso é a Colômbia, que recebeu ajuda financeira e militar dos EUA para combater o narcotráfico, mas ainda assim continua sendo um dos principais produtores de drogas do mundo. Portanto, a alegação de combate aos cartéis de drogas não é garantia de sucesso e não deve ser usada como justificativa para a intervenção em outros países.
Outro ponto importante levantado por Trevisan é a hipocrisia dos Estados Unidos em relação ao tráfico de drogas. Enquanto o país se coloca como o “xerife mundial” no combate ao narcotráfico, é um dos maiores consumidores de drogas do mundo. Além disso, a chamada “guerra às drogas” tem sido usada como justificativa para a militarização de países latino-americanos, resultando em violações de direitos humanos e aumento da violência.
Portanto, a alegação de combate aos cartéis de drogas não é suficiente para justificar uma intervenção dos Estados Unidos na Venezuela. O que realmente está em jogo é a busca por poder e controle de recursos naturais, como o petróleo, e uma possível intervenção militar só agravaria ainda mais a situação no país. É preciso buscar soluções diplomáticas e respeitar a soberania dos países, ao invés de utilizar o combate às drogas como desculpa para a interferência em assuntos internos.
Além disso, é importante destacar que a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela não seria benéfica nem para os venezuelanos, nem para os americanos. A história tem mostrado que a intervenção militar em outros países resulta em conflitos prolongados e consequências imprevisíveis. Além disso, a interferência em assuntos internos de outros países vai contra os princípios de autodeterminação e não intervenção, defendidos pela comunidade internacional.
Em vez de buscar soluções militares, é preciso que os países, incluindo os Estados Unidos, trabalhem juntos para encontrar uma solução pacífica e duradoura para a crise na Venezuela. Isso envolve respeitar a soberania do país e buscar formas de ajudar a população venezuelana a superar a crise econ








