A Argentina é um dos principais produtores de grãos do mundo, com uma produção anual que ultrapassa os 100 milhões de toneladas. Porém, nos últimos anos, o setor agrícola do país enfrentou uma série de desafios, incluindo a recente janela de isenção das “retenciones”, que gerou controvérsia entre os produtores e as tradings.
A política de retenções, implementada em 2002, tinha como objetivo aumentar a receita do governo através da tributação das exportações de commodities agrícolas. No entanto, em dezembro de 2020, o presidente Alberto Fernández anunciou a suspensão temporária das retenções para as exportações de milho, trigo e carne bovina, em uma tentativa de estimular as vendas ao exterior e impulsionar a economia do país.
Em apenas 72 horas, a exportação de grãos garantiu cerca de US$ 7 bilhões à Argentina, um valor significativo para o país, que enfrenta uma grave crise econômica e uma dívida externa de mais de US$ 300 bilhões. O governo comemorou o sucesso da medida, mas o setor agrícola não ficou totalmente satisfeito.
A Associação Agrícola de Rosário, uma das principais entidades representativas dos produtores, expressou seu descontentamento com a janela de isenção das “retenciones”. Segundo a associação, a medida favoreceu apenas as tradings, deixando os produtores com um “sentimento de amargura”. Isso porque, apesar da suspensão temporária das retenções, os produtores ainda tiveram que arcar com os custos de transporte, armazenamento e comissões das tradings, o que reduziu significativamente seus lucros.
Além disso, a janela de isenção durou apenas 72 horas, o que gerou uma corrida dos produtores para aproveitar a oportunidade de exportação, causando um colapso logístico nos portos argentinos. Muitos produtores tiveram que esperar em longas filas para conseguir embarcar seus produtos, o que resultou em atrasos e prejuízos.
Outra crítica feita pelos produtores é que a janela de isenção não beneficiou todos os setores agrícolas da mesma forma. Enquanto os produtores de milho e trigo puderam aproveitar a suspensão temporária das retenções, os produtores de soja, principal commodity agrícola da Argentina, ficaram de fora da medida. Isso gerou uma desigualdade entre os produtores e um sentimento de injustiça.
Apesar dessas queixas, é inegável que a janela de isenção das “retenciones” teve um impacto positivo na economia argentina. Além dos US$ 7 bilhões arrecadados com as exportações de grãos, a medida também ajudou a impulsionar o preço dos produtos agrícolas no mercado interno, beneficiando os consumidores. Além disso, a suspensão temporária das retenções também atraiu investimentos estrangeiros para o setor agrícola, o que pode trazer benefícios a longo prazo.
No entanto, é importante que o governo argentino leve em consideração as críticas e as demandas dos produtores para que medidas futuras possam ser mais equilibradas e justas para todos os setores agrícolas. Afinal, o sucesso da economia argentina depende em grande parte do sucesso do setor agrícola, que é um dos principais motores do país.
Apesar das dificuldades enfrentadas pelo setor agrícola da Argentina, é importante destacar que os produtores são peças fundamentais na economia do país. Seus esforços e dedicação são essenciais para garantir uma produção de alta qualidade e competitividade no mercado internacional. Port











