A história de muitas mulheres evangélicas no Brasil é marcada pela luta contra a homofobia e a discriminação. A ideia de que a homossexualidade é uma doença a ser curada ainda é propagada por muitas igrejas, causando sofrimento e exclusão para aqueles que se identificam como LGBT+. No entanto, essa narrativa está sendo desafiada por um número crescente de cristãos evangélicos que estão se assumindo como parte da comunidade LGBT+ e buscando um lugar de acolhimento dentro das igrejas.
Uma dessas mulheres é a pastora lésbica Flávia Gomes, que compartilhou sua jornada de aceitação e amor próprio em uma entrevista recente. Flávia, que foi ordenada como pastora pela igreja evangélica quando ainda era casada com um homem, se viu em conflito quando percebeu que sua sexualidade não se alinhava com as crenças da igreja. Ela conta que, mesmo pregando a “cura gay” e condenando a homossexualidade, sempre sentiu uma atração por mulheres desde a adolescência.
Foi somente após o divórcio e um longo processo de autoconhecimento que Flávia teve coragem de se assumir como lésbica. Ela conta que a aceitação de sua orientação sexual foi um processo difícil, principalmente por causa da doutrinação da igreja e do medo da rejeição de sua família e amigos. No entanto, ela encontrou forças em sua fé e no amor da sua esposa, a também pastora Débora, para enfrentar os desafios e seguir seu coração.
Juntas, Flávia e Débora fundaram a igreja “Casa da Graça”, em São Paulo, que se tornou um espaço de acolhimento para pessoas LGBT+ que não se sentem representadas ou aceitas em suas comunidades religiosas. A igreja, que é aberta a todos, independente de orientação sexual ou identidade de gênero, tem como missão promover o amor e a inclusão, rompendo com os estereótipos e preconceitos que cercam a temática LGBT+.
Flávia e Débora também são parte do movimento “Cristãos Contra o Preconceito”, que busca conscientizar e sensibilizar a comunidade evangélica sobre a importância de acolher e respeitar a diversidade sexual e de gênero. Em entrevistas e palestras, elas compartilham suas histórias e desafiam os dogmas que perpetuam a discriminação e a violência contra a comunidade LGBT+.
O testemunho de Flávia é inspirador e mostra que é possível conciliar fé e orientação sexual. Ela se define como uma cristã que acredita no amor de Deus e no amor entre duas mulheres. Para ela, ser lésbica não é uma escolha, mas sim uma forma de amar e se relacionar com o outro. Por isso, ela defende que a igreja deve ser um lugar de acolhimento e amor, não de julgamento e exclusão.
A história de Flávia e Débora é um exemplo de coragem e força diante das adversidades. Elas são prova de que é possível superar o preconceito e se amar como se é, mesmo em um ambiente que muitas vezes é hostil e intolerante. Sua luta pela inclusão e pela quebra de tabus tem impactado muitas vidas e mostrado que, apesar das diferenças, o respeito e o amor devem ser sempre prioridade.
Esperamos que a história de Flávia Gomes sirva de inspiração para outras pessoas LGBT+ que lutam por aceitação e para aqueles que ainda carregam o peso do preconceito em seus corações. Que possamos aprender com ela sobre amor, empatia e res












