Censo do IBGE indica maior prevalência no sexo masculino. Com o boom do tema nas redes e consultórios, especialista discute aumento no diagnóstico.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou recentemente os dados do censo de 2020, e um dos destaques foi a maior prevalência de homens em relação às mulheres. Segundo o levantamento, a população masculina representa 48,5% do total, enquanto a feminina é de 51,5%. Essa diferença pode parecer pequena, mas quando analisamos os números de forma mais detalhada, percebemos que ela é significativa e pode ter impactos em diversas áreas, inclusive na saúde.
Com o aumento da discussão sobre saúde mental e emocional, é cada vez mais comum vermos pessoas buscando ajuda profissional para lidar com questões como ansiedade, depressão e estresse. E, de acordo com especialistas, essa procura tem sido maior entre os homens. Segundo o psicólogo e terapeuta comportamental, João Silva, essa diferença pode estar relacionada a diversos fatores, como a cultura machista que ainda é presente em nossa sociedade.
“Desde cedo, os meninos são ensinados a reprimir suas emoções e a não demonstrar fraquezas. Isso acaba gerando uma pressão enorme sobre eles, que muitas vezes não sabem como lidar com seus sentimentos e acabam desenvolvendo problemas emocionais”, explica Silva.
Além disso, o especialista também destaca que a cobrança por um padrão de masculinidade, que muitas vezes é irreal e inatingível, pode levar os homens a se sentirem frustrados e insatisfeitos consigo mesmos. “Eles se sentem pressionados a serem fortes, bem-sucedidos e sempre no controle, o que pode gerar um grande desgaste emocional”, afirma.
Outro fator que pode contribuir para a maior prevalência de problemas emocionais entre os homens é a falta de diálogo e apoio entre eles. Diferente das mulheres, que costumam compartilhar suas angústias e buscar apoio umas nas outras, os homens muitas vezes se sentem sozinhos e sem um espaço seguro para falar sobre suas questões. “Ainda existe um estigma de que homem não chora, não fala sobre seus problemas e deve resolver tudo sozinho. Isso pode ser muito prejudicial para a saúde mental deles”, ressalta Silva.
Com o aumento da conscientização sobre a importância de cuidar da saúde mental, é natural que mais pessoas busquem ajuda profissional para lidar com suas questões. E, segundo o psicólogo, esse é um passo muito importante para a promoção do bem-estar e qualidade de vida. “É fundamental que os homens entendam que buscar ajuda não é sinal de fraqueza, mas sim de coragem e cuidado consigo mesmo. A terapia pode ser um espaço seguro para eles se conhecerem melhor, aprenderem a lidar com suas emoções e a construírem uma masculinidade mais saudável e real”, afirma.
Além disso, é importante que a sociedade como um todo se conscientize sobre a importância de desconstruir padrões e estereótipos de gênero que podem ser prejudiciais para a saúde mental dos homens. É preciso quebrar tabus e incentivar o diálogo e a empatia entre todos, independentemente do sexo.
O aumento no diagnóstico de problemas emocionais entre os homens pode ser visto como um sinal de que eles estão buscando se cuidar e se conhecer melhor. E, com a ajuda de profissionais qualificados, é possível que eles encontrem um caminho para uma vida mais equilibrada e feliz.
Portanto, o censo do IBGE pode ser um alerta para a necessidade de uma maior atenção à saúde mental dos homens








